I
Igreja amarela, chão mijado, pessoas passam
Centro da cidade
Prédios englobam crônicas
E o ar candido da manha rarefeita se condensa
Em onibus verdes
Amarelos, azuis, laranjas, praça.
Palmeira desliza fálica arqueada ao céu de cupula cálida.
O sol acende o âmago marginal da
Existencia
Por entre ambitos de deriva e ambitos de estrutura.
Grafitis com cheiro de baseado
Policiais caminham taciturnos, torcedores
Bebem cerveja as 8:00 AM.
O hesitar se faz concreto, silencio de cimento apodrecido.
Lirica matinal sorridente e o pulsar primordial que transcende
De forma lasciva e cotidiana
O supra-sumo dos pesos de todo e qualquer contexto.
Vagabundo
Caminha tropego com uma garrafa de corote
Um velho
Acende um cigarro amargo ao lado da banca
II
Como se o unico impeto intrinseco nescessario
Para colher do céu frutas flamejantes fosse
O impulso que condenou Sísifo
Ao livre arbitrio e o consequente absurdo.
Para além do impulso resta a estrutura
E o esgotamento das estruturas em ciclos obsoletos.
O esgotamento leva a revolta
Mas ainda assim nós agarramos a vida unicamente pelo
Apaixonado e lascivo
Pulso primordial Karamazóviano.
Eros e Thanatos em uma dança psicanalitica e ambigua.
Tudo é permitido como não existe virtude
E essa é uma constatação de ambito dolorido.
Sopros azuis e vapores barrocos em sorrisos tolos
Tolos no quesito da felicidade torpe e aceitação absurda.
Pois existem seios frutados e ideias usadas como mapas
Ateados a fuligem
Em minhas paginas anteriores.
E hoje voo com barcos no lugar de pernas
Em uma deriva metódica e esfumaçada de constante estranhamento.
O absimos tem vozes e vez em quando mais vale passear
Pelos jardins elétricos de Solipso.
"Ves Aliócha, não a deus que eu renego mas o mundo que ele criou.
Estou apenas devolvendo meu bilhete da forma mais educada possivel"
"Isso é a revolta?"
Acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme
A transcendencia emana da repetiçao cotidiana
O impeto é castrado em nome da inconstancia do impulso.
III
Pois bebemos esmalte e querosene
E maquiamos abismos com penumbras!
Os pulsos da metropole estão
Cortados
E os esqueletos de broze estão em chamas.
A essencia é posterior a existencia e
A liberdade
Opressiva como um vacuo e uma cruz
E o movimento, lá embaixo nas ruas
Embalado espontaneo no lirismo do caos.
– A cidade como vontade e representação –
A fumaça de escapamentos ocres abortam
Sanduiches de vento e
Pilulas de realidade.
Artérias surrealistas pulsão Miles Davis
O céu estava azul e era só mais uma manha de sabado na cidade de São Paulo.
Téo, São Paulo, Agosto de 2016
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