segunda-feira, 20 de novembro de 2017

eu admito

Olha, eu admito que somos crianças inconsequentes e românticas e intensas. Mas será que sabemos o resultado do nosso próprio hedonismo? Porque, por mais que acabemos por nos conceder minutos seguidos da mais pura plenitude, construir mundos perigosos mas agradáveis e estimulantes, voltamos a ser vítimas do externo. Ou da crueza do ser de fato. Ou da mais dura veracidade.
Pois mesmo quando nos tornamos alegres, quando vemos o mundo voluntariamente desfigurado, não sabemos como construir alternativas usando nossos próprios instrumentos. E assim, seguimos constantemente direcionados a instrumentos mais fáceis. Pois sem eles não somos nada. E da falta nasce o desespero. E do desespero a pura vontade de ferver como bestas saciadas e de por fim, mergulhar para sempre em nossa própria efervescência.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Colo (um outro final possivel)

Foram-se as camélias
Voltaram-se os lilases
E agora é preciso navegar de novo.
Não é sólido, é fragil
Pois tudo o que é vivaz sente.
Não é fragil, suporta,
Não importa.
Pra mim nunca tá bom.

No meio da terra pisada
Nasceu uma florzinha azul
 
              1º de novembro de 2017, São Paulo

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Epílogo (prólogo)

Acorda e olha a luz azul pela janela
         do quarto ou do ônibus
A vida na pele
Cai o mito.
riverun por todas as margens da palavra
         o rio humano,
É preciso estar vivo para continuar a
         escrever a história.

Odisseu, tu que deita agora em minha
         frente, tu que a muito vislumbro
         sem a coragem de ver, que aparece
         sempre decaído, morto, cortado,
         teu cadáver finalmente aparece para
         mim nu, teu agigantado corpo
         mutilado pelo tempo, gigante de
         sangue e palavra, eu preciso
         comer a sua carne.

Então engoli tendão, músculo, verbo,
         sentimento e enigma.
Comi a sua carne Odisseu, e fui
         fecundado com a sua palavra,
Segue o mito.

(Finn again awake)

Vida na pele,
riverun por todas as margens do mundo
       o meu rio, apesar dos solavancos,
É preciso estar vivo para continuar a escrever a história


                                 
                           (Algum dia eu vou pegar a vida pelos braços
                                                            e coloca-la no meu livro)
       
       
     

domingo, 24 de setembro de 2017

Ruinas brancas

Pelos escombros se ouvia fogo e agua;
Vapor. Vermelho cobre. Lápis-lazúli.
Odisseu passava pela janela
Derrotado, com cortes fundos pelo corpo,
Olhos vazios;
Ventava.
Eu por minha vez me afogo.
Os dias tardam a passar.
Sombra e carne se misturam
E não se sabe mais o que é sombra
E o que é carne.
Goteja.
Conheci um sujeito certo dia que tinha
       Esmeralda nos olhos e não conseguia
                                              Tirar a roupa.
Choveu.
E deu medo de ficar velho no meio do mundo,
Pela janela a cidade se faz o oceano do meu
                                                 Naufrágio
   

                                     Setembro de 2017, São Paulo
           

quarta-feira, 30 de agosto de 2017




Sonhos de uma noite?

Bento Pestana









Quase que um baque, nenhuma espécie de droga do amor ou entorpecente químico, mesmo. Ismael, Daniel, Flavio, Isabel, Lora, Loreta...todos.
Depois daquele dia eu fiz questão de me afundar em um profundo e maçante dia a dia, que envolvia uma quantidade, em quilos, de tabaco e algumas geladas, ou biritas. Escolha você.
Lina e Lara beijaram Andrade que se sentiu o máximo e magoou Patroclo. Lembro como se fosse hoje que eles brigaram...Perdeu seu amor nos lábios de Andrade e pouco lhe importavam os beijos e amassos com Flora, que por sua vez declarava amor absurdo pelo garoto. É adolescência é uma fita.
Em algumas tentativas, em algumas tentativas, põe dedo pra lá no fundo, põe dedo pra cá, isso, isso, pronto agora da pra aumentar a velocidade, mas talvez o problema esteja na concepção, não! para de pensar, para de pensar, toca, toca...ah mas... ahhh... isso, isso, isso

perdeu meus braços e minhas pernas alguns anos atrás, perdeu as faces rosadas e as esmeraldas!! As esmeraldas... esmeraldas... vinte, 19, tal, tal....
Eram quatro amigos, algumas baganas, desesperanças, tavam meio desmoronados. Uma casa, comida, carne moída e tal... preciso tentar me explicar. queridos e queridas de toda a comunidade? não foram vós quem me escolhestes? Sim, era um menino e uma menina por volta dos dezessete. Ela tinha olhos meio caramelados e dourados e ele os olhos castanhos. Foi meio estranho aquilo, sabe? como explicar a química ou a poesia, no fundo no fundo, não se explica: tipo assim, assim, assado. Mas, enfim, eles se conheceram, acho que isso é uma boa explicação sabe? eles se conheceram através do cabeludo da escola ou do sinônimo feminino, "cabeluda"? Aquelas coisas né? Dividiram uma maçã um dia, alguma espécie de segredo, e se casaram sabe?

Barulho da janela
Quarto, você/contigo
olhando pra cá, pra lá...
colo, minha cabeça
aquela pele meio gelada,
ela quase dança parada
talvez não dure 23 anos ou menos ou mais...
esses 30 segundos foram suficientes pra pelo menos uma vez

Pátroclo acordou assutado.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Moedas azuis

E ai cara, como anda o cadáver que você
                 plantou no seu jardim inverno
                 passado? Floresceu?
Acho que vou
Chorar um rio de lagrimas
Para depois mijar em cima
Ou jogar moedas azuis contra
Uma parede vermelha para ver se as
Horas passam mais depressa...

Velado por tudo que há de
Crepuscular e úmido;
Embebido em uma névoa azul e
Uma claridade gasosa:

– Abaixo da noite
Amanheceu o mar –

O cinza das geleiras se pintou de rosa;

Lacrai os seios, donzelas,
Dilacerai as túnicas


                      Julho de 2017, MG

Urubus cor de rosa

Na avenida o ronco dos automóveis
Turvava as nuvens e
Gotejava
Podridão.
Então a angustia se calou, secreta
Lá no lago do peito onde emergiu
A noite inquieta que me possuiu
Senti o peso dos meus pés
Presos ao pó do meu pavor.
Que o diga o homem de açúcar
Que se esfarelou no teto.
Como esse triste vapor azulado
Que paira luminoso sobre nós,
A vida é só uma sombra móvel.

Os urubus sonham com auroras
                                          (Róseas)

   
                                     Julho de 2017, SP