sábado, 30 de julho de 2016

                               O céu tá pintado

                                                                                                  Bento Pestana Hubner






O céu tá pintado de estrelas
Estou em algum lugar
Não sinto o chão
Duas castanhas me encaram o dia todo
Vem pra casa hoje?

O céu tá pintado de estrelas
Cigarro amargo
É o suficiente para um desastre moral
Vem pra casa hoje?

Como poderia ser verdade?

O céu tá pintado de estrelas
Seus lábios sorrindo
To triste cara
Para de perder seu tempo

O céu tá pintado
Que olhos bonitos tem
Metade de números incógnitos
Prefiro álgebra

Mas...vem pra casa?

Por favor não leva meu amor embora
Ah...o céu
Você tá com ele?
Em frente dos meus olhos. Te adoro muito.

Não pode ser uma coisa só, estou ouvindo!!

O que eu não sei, amor?
O que você sabe, que eu não sei?
Amor, olha pra mim
É, desculpe, eu sei que eu to te incomodando

Trate melhor ela, rapaz
Ah não...você fez de novo

A vida não tem importância agora
Já sei...já sei...amor?

O céu amor...
Eu sei, você gosta mais dele
É, eu sei, eu to errado
Ficando pronto para o dia
Sozinho de novo
Sozinho de novo...

A madrugada está turva, giram as gigantescas órbitas escuras e densas
recheadas com estrelas cadentes intensas. Seu cabelo balança e te vejo desenhada
na madrugada...olhando, observando...ah...

Estou catando minhas coisas, por favor, vá com calma comigo.
Ei! Por favor!? Quem é você!?
Tudo tá tão ridículo, meus amigos. Ninguém quer uma pessoa desbotada, cara!
Mãe, te amo muito, vá com calma comigo...mãe...preciso de você


                                      Joelho machucado
                                      Estou cortado
                                      Amor...amor

Se tu estiveres a escutar meus grunhidos escrotos, me ajuda?
Eu sei amor, o céu ta pintado do jeito que você o deixou

Canta pra mim?
Não tente me acordar
Não sinta nada por mim
Amanhã eu já vou ter ido embora
Cante pra mim?
Eu quero que você saiba
Dentro e no fundo do meu coração,
estou feliz em ir embora
Adeus amor, adeus amor
Está doendo mãe... Me deixe sozinho
Não quero acordar sozinho nunca mais
Não sinta pena de mim
Quero que você saiba amor
Vou ter saudades amor

Pode ir com ele amor
Não olhe pra mim amor...

Estou feliz em ir embora
E vou junto com o céu pintado por teus olhos cintilantes amor


















segunda-feira, 25 de julho de 2016

Saori

SAORI

"Como beijo calido no inferno..."

                                        I
Saori era absoluta.
Saori era apenas uma nuvem.
Saori era o grito, o descompaço, a dor.
Saori era calida.
Saori era o olhar.
Saori era o beijo e era uma cidade triste e cinza.
Saori era palida e era vapor.
Saori era o oceano.
Saori era imaculada.
Saori era o suspiro e era azul.
Saori era o impeto e era o contexto.
Saori era o instinto.
Saori era o pecado.
Saori ventava melancolia por manhas frias.
Saori era o corpo peludo e sagrado que goza.
Saori era o extase.
Saori era a neutralidade e a indiferença.
Saori era a deriva.
Saori era o silencio.
Saori era o chumbo.
Saori era carne e era fumaça.
Saori era o absurdo.
Saori era toda a frustração e renuncia.
Saori era a profecia.
Saori era e não era tambem.
Saori era tudo e era nada, mas
Saori era a existencia, mas
Saori era eu, mas

Saori é apenas uma dama de olhos tristes caminhando ao amanhecer.

                                    II
Com sua boca de mercurio em tempo missionarios
E sua carne como seda e seus dedos como folhas secas
Com seu coração como vidro
E a sua face vazia
Quem entre nós poderia suporta-la?
                                                            Saori,
Com seu sorriso como neblina
E as suas lagrimas rochosas
Com seu suspiro como vapor
E a sua silhueta de lagos silenciosos
Quem entre nós poderia não ama-la?
                                                           Saori,
Com seu nariz de aguaceiro
E o seu corpo branco como breu
Com seu semblante de vértice
E os seus olhos de marmore e ebano
Quem entre nós poderia supera-la?
                                                          Saori,
Com suas rezas com rimas
E os seus olhos como fumaça
Com seu beijo de ausencia
E o seu oceano de ambiguidade
Quem entre nós poderia renuncia-la?
                                                         Saori,
Como sua face como uma santa
E a sua alma como um fantasma
Com sua espera de aço e concreto
E suas saudades como o frio vento
Quem entre nós poderia, enfim, mata-la?
                                                           Saori,

Saori... Saori... Saori...
O uivo projetado do feminino existir efemero.

                                       III
Sem mais delongas, Saori,
                   Vamos direto ao ponto, atravessar o inferno!
       Logo tu, a abstrata,
                                Saori,
                         A maldita, a amaldiçoada.
        Saori, poupe-me do ambiguo pois tu é a
                                                  Sintese e o paradoxo,
                Vou margulhar nas suas entranhas e
                                               Sugar teu sangue doce e amargo.
                   És o desespero, Tu Saori
                                                   És beatifica nua e celestial!
           És o amago!
                     E dança sua dança liquida e frouxa.
      Me absolva, me liberte, me mate, Saori,
                           Deixe-me possuir, gozar e matar você, Saori,
                                                                          A vaporosa subjetiva!
                                     Pois é feita de tripas e éter, Saori
                              E teus seios são colinas na eternidade.
Queime Saori, apodreça, grite
             Pois é enfim a culpada e o juiz!
                       Concreta Saori, liquida Saori, És voluptuosa
                                                   E faz martirio da volupia.
            És um simbolo Saori, como tudo e como nada,
                           És vitrea, plumbea e carnal,
               Etérea Saori!
                                  De bucetas e caralhos fumegantes,
                            És o ser, o tempo e o fim.
                                                   Queime Saori, queime, queime
                                      Uma chama branca e gélida,
                      Queime Saori, queime e nos deixe em paz!!!

–Saori, menina bonita de olhos tristes e cristalinos dedilhando a solidão espontanea abaixo da cerejeira–

                                                     IV
      Quebrem todas as portas e todas as fechaduras! Libertem o que foi a muito recalcado no fundo da fumarenta e obliqua conciencie solipsista!
      Vamos – Você Saori e tambem eu – Realizarmos a nossa jornada final ao inferno – Teu inferno, Saori – E cruzar todo caldo de linguagem e pulsação do fenomeno de ser.
      Saori, forjada nas avenidas lascivas de tendão, penis e medula, Saori, nascida do osso e do éter, abençoada Saori! muscular e cognitiva Saori! Embriagada Saori!
      Liberte-me Saori, Me deixe bagual e esmo a perambular, me liberte, Saori, de toda metafisica cicular e de todo lixo civilizatorio misturados com testiculos e piche!
      Me liberte, Saori a existencia, Saori a mente, Saori a lasciva castrada, Saori a mais bela musa e a mais absoluta abissal, mãe de toda condição;
      O real, o simbolico, o sexo, a mente, o vazio e a morte onde se encerra o fenomeno como um todo
                                       Cujo qual é
                           Saori.

                                               V
"Saori parte imaculada
Como uma nuvem
Pela manha"

– E todos nós taciturnos de olhos tristes a fitar a cidade-Saori com porre de vinho, fumando um cachimbo fumegante de erva, em prantos com a eternidade –
                                                             


São paulo, Julho de 2016.

No aguaceiro dos meus dias

Muito antes do hesitar suspenso:

O aguaceiro ocidental e esquelético
goteja em uma poça cinza e verde
Das vielas de olhos tristes que se misturam
No caldo muscular da cidade de meus dias,
Ou o mais solido bosque de pinheiros
Imerso no inundar das ondas torpes do cotidiano
Se desfacelando em nuvens de suspiros e
Velhos habitos, na cordilheira do meu ser.

O laranja sublime que costura o
Instinto ao nervo ou
A ossada fossil de um percevejo a
Atormentar contextos que se esgotam e se tornam
Absurdos e obsoletos.

E o complicado é forjar e lapidar encruzilhadas
Suturadas ao ser pelo efemero do tempo.
Imitar e abençoar a mimica imagética da carne
E suster a espinha dorsal do simbolo
Para evitar o desmoronamento do lucido
Sem ceder ao martirio do lirico,
Ser,
Um navio literario e chorar minhas lagrimas de chumbo.

Orbitar o seio orvalhado que engloba o sangue
Ou agarrar o instinto da deriva e apenas ir
E
Na cidade que eu plantei para mim me localizo como
Um bagual com medo
Que se vai em um salgado aguaceiro de metafórico inverno.

sábado, 23 de julho de 2016

                     Pra ela, pra vocês e para o Dylan

                                                                                              Bento P. Hubner




Sol quente no sítio. Gosto de álcool etílico.

( a mesa é redonda, alguns camaradas sentados. Na cozinha a funcionalidade segue em tom de sonho para os cozinheiros. Fuma-se tabaco)

Bosépio Mentecapto olha o nada.

(tempo)

Comida! Comida!

(Tu curti ela, não curti loirinho? Não posso fazer nada ela é linda memo)

Vozes! Invasão!

(Invadiram uma casa ali, patrão! Mas não roubaram nada essencial...)

Oi? Que barato!
A tarde é silenciosa com o contrabaixo afinado. O céu está púrpura... Infelizmente ou felizmente segue a viagem concreta, rumo ao nada. Oh, quem entre eles pensa que poderiam te enterrar? A menina de olhos castanhos desliza seus dedos sobre o baseado. Olhos atônitos e não existe cena mais bonita, com sua boca de mercúrio em tempos missionários, e seus olhos como fumaça, e suas orações como rimas. Ela é mais forte do que qualquer um poderia perceber... e quem entre eles você acha que poderiam resistir a você?

Senhorita de olhos tristes das planícies
Onde o profeta de olhos tristes diz que nenhum homem vem,
Meus olhos de um armazém, meus tambores árabes,
Devo deixa-los no seu portão?
Ou, senhorita de olhos tristes, eu devo esperar?

(Dylan canta)

Por que?
Vamos nos render?
-Vamos nos render e fumar um

(Sad Eyed Lady should I wait?)

Do que estamos falando?
Oh, os farmacêuticos e os homens de negócios, todos eles decidem
Mostrar a você todos os anjos mortos que eles costumavam esconder.

(Sol das 17:00)

A gente estava na cozinha é verdade
E de verdade... Estou com dor no peito

Ela sorri. Ela chora. Ela entende.
Ele sorri. Ele chora. Ele não se entende.

Puxa!
Confuso!
Existo!
D-E-SA-PA-R-E-C-E

Vida...vida
Subjetividade escrota. Austeridade de merda..."Seja espontâneo" diz Tencio

(A casa está largada aos junkies. A bebida foi roubada, mas já acabou)

Fiquei na brisa da história em quadrinhos
Tem vídeo de gente gorfando
Eu sou da América do sul
Eu sei vocês não vão saber.

(Haicai
 Falido
 Saudades)

O professor do colégio foi demitido...

Eu tenho saudades de você
Seu sorriso amoroso, beijo extasiante. 
Sinto saudades de você e de te chamar de amor
Com olhos atônitos beijo sua testa
Olhos atônitos...
Como poderia, eu, ter esquecido 
Fraquejo
Tu és linda como a lua e intensa como a luz rubra de Marte e tudo.

(O espontâneo Woke up this morning... é uma resolução estética)

(Cabelo vermelho?)

Farelo de cocaína por toda minha roupa
Sei que a perdi
Sei que deitei, dormi...
Acordei?
Não sei

Bitucas de cigarro amargo e mal enrolados no cinzeiro
Ela provavelmente não esqueceu
Eu não esqueci
Os cacos jogados ardem.

Arde
Cera
Vela
Penso em azar
A cera da vela arde
Machuca meus pulsos

Como disse?
A CERA DA VELA ARDE
o pão é saboroso e tudo está bom.



Francisco
Frasco
Franco
Fascínio
Delito
Deleite
Cor 
Caco
Dor
Amor
Peso
Pessoa
Pato

Eu queimei toda minha mão com cera de vela.



Sorrisos 
Amigos
Pirados
Piratas
Estou ciente, já esqueci e me esborrachei.

(Não existe livre mercado! Olhe o noticiário!!)

Oi?
Oi.

Rolo pelos lados da casa
Eu ardo e não respiro
Ansiedade.

(A clientela e o monopolio comercial)
-Pêra
-Uva
-Maçã
-Banana
-Abacaxi
-Óleo
-Azeite
-Sal
-Alho
-Cebola
-Arroz
-Feijão
-Farinha
-Linguiça

PS: Traz um doce mãe. 


Senhorita de olhos tristes das planícies
Onde o profeta de olhos tristes diz que nenhum homem vem,
Meus olhos de um armazém, meus tambores árabes,
Devo deixa-los no seu portão?
Ou, senhorita de olhos tristes, eu devo esperar?


































































quarta-feira, 13 de julho de 2016

                     809p radiofônico, viva o sentido!                                                        

                                                                                               Bento Pestana Hubner                                    




Função? Ah porra!
Detesto função!

-Mas me veja, antes, um maço de cigarro- Disse o vagabundo ao dono do bar.
-Quatro reais e cinquenta centavos moço!
-Ah! Está pago- Deu-lhe o dinheiro.

Pois olhe a vista da vida das araucárias e cante com Chiquinho
                           "Não levou um tostão"
                           "Levou o sorriso"

Prossegue a voz tímida na janela do quarto dela à alguns meses atrás.

                           "São anos dourados"
                           "Não espero seu beijo nunca mais"

Por que era tão linda? Sim o meu pote de baganas, sim, sim
-Você criou o que? 
-Um pote de baganas e um maço de cigarros, tá ligado?
-Quem é você?
-Que cara? 
-Cala-te. O que?
-Não. Sou um machista opressor, um escroto.
                                                                          Número do celular: 982710772

Mensagem de: 982710772
Mensagem para: 982710772
Eu: Acho q vc n é nada, saca? Só um pedacinho de mundo q veio parar aqui, saca?

-Vou pra escola mãe!
-Tchau filho!

                                   ***

ELE encontra ELA e Coltrane sopra seu saxofone.
ELA ama ELA e escuta-se um violão do outro lado da casa no quarto do seu irmão mais velho
Tudo e nada se perdem em uma tarde aleatória de São Paulo. 
Nada se perderia em um dia tão bonito como aquele no Pico da Consolação. O lugar onde os junkies se picam e repicam as veias e entorpecem suas cabeças e pouco se fodem para o resto.
Tudo parece tranquilo, mas os inquilinos continuam no andar de cima e parecem estar famintos, devemo-lhes um baseado, além das terras desapropriadas.

Saca? Qual a função?
-Fumar um cigarro cara!

E se fosse tudo há uma ano atrás? E se nada tivesse acontecido?
(Sei lá meu. Não chore pelo leite derramado)
É mas dá saudades deles e delas
(Você está parecendo um velho. Óbvio que dá saudades, é que tu gostava, só bola pra frente. Tu não tá entre fogo e água, só uma caixinha no meio de um mar de possibilidades)


-Valeu
Perfume de cigarro.
Prof.Pavaredzi faz pão.


Estou me perdendo bicho! Porra bicho! Foda-se
Ele e ela disseram abre o olho, e caiu uma gota de colírio, só podia ser um delírio da menina.

Soou o telefone na casa dos pais dela, ligou avisando que passou os últimos dias trepando com a namorada e o amigo
Está tudinho errado
Respondeu: "Viva Pelé do pé preto! Viva zagalo da cabeça branca!"

                                     Foda-se
                                     Baseados
                                      em você

                                           ***

Morreu ela, que um dia fez um bolo de Fubá gostoso e matou o marido filha da puta
Morreu ele, que assaltou um bar perto de Eliseu de Almeida
                                                                           [do lado da casa da sua ex-namorada


Missa fúnebre. Jovem avó havia morrido. Regina teve câncer, segurou a barra. Morreu oito anos depois.
Era uma pessoa linda, cabelos encaracolados. Alguns brincos e colares. Usava roupas de cores fortes: laranja, roxo, vermelho. Tinha o sorriso mais bonito do mundo.
No funeral, o netinho não entendia: Lembra de um salão com chão vermelho de mármore, caixão dourado, pele fria. Morte...
Lembra de seu pai e dele, que dois a dois não concebiam a dor e o sofrimento que sentiam.
Hoje não tem nada, só seu retrato na estante, uma escrivaninha de madeira e uma mochila jeans velha.
Saudades é o que resta, amor não falta. As nuvens se desenham Regina.

                                            ***

Consistência! Não temos nada a declarar! Vamos beber uma cachaça e fumar um bauret na serra
                                                      Pico da Consolação
Se não houvesse o amor.
Tristeza Camará.

809p blablablabla blues, como termina?
Não termina nunca, ou termina com um ponto final
Ou foda-se acaba assim mesmo...

































terça-feira, 12 de julho de 2016

         Desconstrução e 

              saudades


Branca como a neve. Os negros cabelos
preenchem a doçura das feições pálidas
Fumaça na casa escura
A olho nos olhos negros e brilhantes em meio a noite devassa
A bagana entra e sai de seus lábios
Linda branca de neve! Doce menina

segunda-feira, 11 de julho de 2016

[nome]

Cubículos de pontas afiadas
                  a servir-me
                                 de cama,
Jardins murchando
                  e meu corpo,
                                 frouxo.
eu sei meu amigo
                 que as luzes escapam
                                 seus dedos,
Mas é o tempo
                  e a ele se deve apenas
                                 esperar.
Porque?
        Deixar uma lapso afiado melancólico
                                          poluir-te?
Da tempo ao tempo
                  as flores tem de vir
                                 a brotar