I
Igreja amarela, chão mijado, pessoas passam
Centro da cidade
Prédios englobam crônicas
E o ar candido da manha rarefeita se condensa
Em onibus verdes
Amarelos, azuis, laranjas, praça.
Palmeira desliza fálica arqueada ao céu de cupula cálida.
O sol acende o âmago marginal da
Existencia
Por entre ambitos de deriva e ambitos de estrutura.
Grafitis com cheiro de baseado
Policiais caminham taciturnos, torcedores
Bebem cerveja as 8:00 AM.
O hesitar se faz concreto, silencio de cimento apodrecido.
Lirica matinal sorridente e o pulsar primordial que transcende
De forma lasciva e cotidiana
O supra-sumo dos pesos de todo e qualquer contexto.
Vagabundo
Caminha tropego com uma garrafa de corote
Um velho
Acende um cigarro amargo ao lado da banca
II
Como se o unico impeto intrinseco nescessario
Para colher do céu frutas flamejantes fosse
O impulso que condenou Sísifo
Ao livre arbitrio e o consequente absurdo.
Para além do impulso resta a estrutura
E o esgotamento das estruturas em ciclos obsoletos.
O esgotamento leva a revolta
Mas ainda assim nós agarramos a vida unicamente pelo
Apaixonado e lascivo
Pulso primordial Karamazóviano.
Eros e Thanatos em uma dança psicanalitica e ambigua.
Tudo é permitido como não existe virtude
E essa é uma constatação de ambito dolorido.
Sopros azuis e vapores barrocos em sorrisos tolos
Tolos no quesito da felicidade torpe e aceitação absurda.
Pois existem seios frutados e ideias usadas como mapas
Ateados a fuligem
Em minhas paginas anteriores.
E hoje voo com barcos no lugar de pernas
Em uma deriva metódica e esfumaçada de constante estranhamento.
O absimos tem vozes e vez em quando mais vale passear
Pelos jardins elétricos de Solipso.
"Ves Aliócha, não a deus que eu renego mas o mundo que ele criou.
Estou apenas devolvendo meu bilhete da forma mais educada possivel"
"Isso é a revolta?"
Acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme-acorda-dorme
A transcendencia emana da repetiçao cotidiana
O impeto é castrado em nome da inconstancia do impulso.
III
Pois bebemos esmalte e querosene
E maquiamos abismos com penumbras!
Os pulsos da metropole estão
Cortados
E os esqueletos de broze estão em chamas.
A essencia é posterior a existencia e
A liberdade
Opressiva como um vacuo e uma cruz
E o movimento, lá embaixo nas ruas
Embalado espontaneo no lirismo do caos.
– A cidade como vontade e representação –
A fumaça de escapamentos ocres abortam
Sanduiches de vento e
Pilulas de realidade.
Artérias surrealistas pulsão Miles Davis
O céu estava azul e era só mais uma manha de sabado na cidade de São Paulo.
Téo, São Paulo, Agosto de 2016
Esse blog tem como objetivo tornar publico ideias artisticas fracassadas de um bando de medíocres pretensiosos. Aqui você escontrara poemas, tirinhas, textos e outros lixos pseudo-artísticos. Seja bem vindo.
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
terça-feira, 30 de agosto de 2016
Hubner
Puto, grosso, mal-humorado
Esse é seu escudo
esse é seu gingado
Positivamente
Rebuça seu leite dourado
na superficialidade
Dos abismos e abissos
seu manto se delicia
Transbordando o copo cheio
pra baixinha tímida
e alegre do andar de cima
- Preciso de um cigarro!
Use seu modo, meu velho
seus pseudo-overdoses
Baden
Jethro
Gilberto Veloso
Seja um Mutante
Esse é seu escudo
esse é seu gingado
Positivamente
Rebuça seu leite dourado
na superficialidade
Dos abismos e abissos
seu manto se delicia
Transbordando o copo cheio
pra baixinha tímida
e alegre do andar de cima
- Preciso de um cigarro!
Use seu modo, meu velho
seus pseudo-overdoses
Baden
Jethro
Gilberto Veloso
Seja um Mutante
segunda-feira, 29 de agosto de 2016
Todo Mundo
só
somente só
sozinho só
primeiramente só
pontualmente só
só só
sou só
sé só
su só
unica e inevitavelmente só
terrível e moderadamente só
bonita e tranquilamente só
só
sá
sé
só
só
só
só
só
os só
só os
ós so
osso
se eu não fosse tão sozinho
quem diria eu?
sou
somente só
sozinho só
primeiramente só
pontualmente só
só só
sou só
sé só
su só
unica e inevitavelmente só
terrível e moderadamente só
bonita e tranquilamente só
só
sá
sé
só
só
só
só
só
os só
só os
ós so
osso
se eu não fosse tão sozinho
quem diria eu?
sou
quinta-feira, 25 de agosto de 2016
Homem sério e beijo gostoso
Bento Pestana HubnerI-Tarde
Um espetáculo se montava a medida que:
Rua Cardeal Arco Verde era atravessada pelo homem sério. Provavelmente caminhava até a Pedroso
alugar um filme, andar, ir aos sebos ao lado da Fnac
Tarde quente baqueava o teatro, lotado de seres estranhos e cabisbaixos
Cardeal, Mourato Coelho a esquina do bar mais famoso da cidade
E abraço você e o beijo é gostoso. Não te via, fazia uma semana.
O sol continuava brilhando. O Alemão, sentado nas cadeiras vermelhas com um copo americano,
bebericava sua cerveja. Um velho vagabundo urbano daqueles que nunca se acredita que viu, ouviu
Tinha a cara marcada por rugas e contava histórias para quem quisesse, ou não quisesse ouvir.
"Velha guarda meu amigo. Tocávamos que nem loucos naquele apartamento." A narrativa explodia por sua pele, com ar de velho-sábio. Aceitava e sabia de sua condição, permanente e eterna de vira-lata.
"Vagabundo nasci, vagabundo cresci e vivi. Só me resta, agora, vagabundo morrer.
Uma síntese romântica de tudo aquilo que pulsa e borbulha. Hedonismo louco e estético, hedonismo puro e sofrido. E dizia sem dizer, carpe diem.
Que nome lindo que ela tinha. É eu to com saudades.
O peregrino continua sua jornada pela rua
Explosivos prédios jorram faíscas azuis turquesa
Formigas saúvas avermelhadas caminham pelo meio-fio
São tão sangrentas
Elas agarram-se aos prédios ao velho vagabundo e ao homem sério,
comendo-os todos nus e tudo vira
turquesa
E parece que os dias não passaram.
II-Manhã( Gonçalves, Sertão do Canta Galo)
Mar de tinta pinta a Serra da Mantiqueira.
E a gente se perde no tempo que passa, ou deixa de passar.
Os plátanos pegam fogo na imagem da ponte Eusébio Matoso, em SP.
"Eae caras, o que estamos esperando?"
"Ah! Lembrei! Passa o bauret Pedro!"
É, eu realmente te amava.
III-Noite- (Boituva, SP)
Cinematografia espontânea:
-A cena precisava ser compactada com alguma métrica experimental,
mas de verdade, estariam eles presos em um espaço-tempo cheio de
novos conceitos, dos quias nem mesmo saberiam...
Gritam os loucos, trepando no quarto do lado.
Todo mundo gorfou, e os barulhos das palmeiras ao vento soam
como um saxofone sensual. A cozinha cheira a chá mate e a festa continua,
mesmo com a noite quieta e dolorosa.
Te beijo na frente do Copo a Copo e eu nunca fui tão feliz em toda minha vida.
IV- Madrugada( Gonçalves, Sertão do Canta Galo)
Conversation Blues
Pote de marijuana e solo de gaita
no próximo dia, os caras iam plantar 20 pés de maconha
A penumbra noturna e o vento esfriam a casa do esquadrão noia
e o jazz penetra nos cérebros entorpecidos
uma melodia suave e...
"Fomos massacrados por um som sinistro caras!
Do vazio se desdobra o instante
o êxtase é generalizado"
Gostava do seu jeito deslanchado do seu cabelo mal cortado.
V- De manhã na varanda( Gonçalves, Sertão do Canta Galo)
Prof.Pavarezzi fuma seu cigarro
Pátroclo come e o dia nos espera
Pedro dança com o Velvet
e o sol está quente e sonhos da gente.
Aquele dia foi o dia mais feliz da minha vida
VI-Tarde
Atravesso a Pedroso e ascendo um cigarro
São Paulo, São Paulo
A rua tá cheia e eu; sem saco.
A eternidade se deita no horizonte
Deparo-me caído no altar
pardacento
A minha frente, uma escada de
pedras engruvinhadas, e
para além disso, os campos
verdejantes do infinito
Eu vejo a verde colina e
as nômades nuvens do céu
E quanto mais fito a eternidade,
Mais longe de mim ela
parece estar
Vou me erguendo, com meu
corpo esguio e
minhas escuras olheiras
No caminhar lento, nu, e drogado
tento alcançar o inevitável
Antes que ele fuja de mim
O ritmo descompassado dos meus passos é quebrado
Aos meus pés, uma insólita flor branca
De pétalas suaves
É ela que eu agarro e seguro
Junto ao peito
Pois a eternidade se deita no horizonte,
E ainda há caminho a ser traçado
pardacento
A minha frente, uma escada de
pedras engruvinhadas, e
para além disso, os campos
verdejantes do infinito
Eu vejo a verde colina e
as nômades nuvens do céu
E quanto mais fito a eternidade,
Mais longe de mim ela
parece estar
Vou me erguendo, com meu
corpo esguio e
minhas escuras olheiras
No caminhar lento, nu, e drogado
tento alcançar o inevitável
Antes que ele fuja de mim
O ritmo descompassado dos meus passos é quebrado
Aos meus pés, uma insólita flor branca
De pétalas suaves
É ela que eu agarro e seguro
Junto ao peito
Pois a eternidade se deita no horizonte,
E ainda há caminho a ser traçado
quarta-feira, 24 de agosto de 2016
A Morena dos Rios Reluzentes
Sobre os lençóis e o tapete
Vastidão dos meus sonhos e desejos
Auxiliando os despreparados
Para que sejam classificados
Vejo a índia, o passado
Em busca da verdade do seu parecer
Olhos escuros, cabelos curtos
-esvoaçados
Cansaço sob o olhar
Ela sorri com o prato cheio
Recíproco, me reúno
Na calçada me deparo ao Sol
De forma concreta, detalhes
-protagonizar
À minha frente a silhueta do Brasil
Com seu charme e colares a exibir
Beleza selvagem
Conheci a morena dos rios
-reluzentes
16/02/02
Vastidão dos meus sonhos e desejos
Auxiliando os despreparados
Para que sejam classificados
Vejo a índia, o passado
Em busca da verdade do seu parecer
Olhos escuros, cabelos curtos
-esvoaçados
Cansaço sob o olhar
Ela sorri com o prato cheio
Recíproco, me reúno
Na calçada me deparo ao Sol
De forma concreta, detalhes
-protagonizar
À minha frente a silhueta do Brasil
Com seu charme e colares a exibir
Beleza selvagem
Conheci a morena dos rios
-reluzentes
16/02/02
Fogo
Através dos meus ouvidos
sintilo seus zumbidos
Espectro revigorante
Sol-Terra se alinham no horizonte
Pedras empilhadas
façam-nos e não questionai-vos
A bandeira cintilante
ofusca os raios brancos - Implosão
Me deito em berço esplêndido
e os supressos, perduram sofrendo
Aguardando a faísca
perpetuar sobre as cabeças
Fogueira do abraço
Acalenta, sobrevive
apaga, chamusca
E quando menos se espera
se alastra sem volta
15/16/11
sintilo seus zumbidos
Espectro revigorante
Sol-Terra se alinham no horizonte
Pedras empilhadas
façam-nos e não questionai-vos
A bandeira cintilante
ofusca os raios brancos - Implosão
Me deito em berço esplêndido
e os supressos, perduram sofrendo
Aguardando a faísca
perpetuar sobre as cabeças
Fogueira do abraço
Acalenta, sobrevive
apaga, chamusca
E quando menos se espera
se alastra sem volta
15/16/11
Sangue
Preste atenção caro bombeador,
seus afazeres translumbrem meu momento
sangue pulsa insanamente
tristeza e solidão tiram repouso
Planetas alinhados, guias equilibrados
a amizade sorri à minha frente
apreço, carinho, prazer
conversas quase tão mágicas
as the doors of perception
Se tudo está confuso,
a lâmpada acende
o dedo estala
pelos bacos dos tambores
o som encorpora
com intrepidez e audácia
Mesmo louvando a terra
no piso da grande laranja redonda
a relevância perdura
Crucialidade no cume do Everest
Muito obrigado senhor bombeador!
16/23/02
seus afazeres translumbrem meu momento
sangue pulsa insanamente
tristeza e solidão tiram repouso
Planetas alinhados, guias equilibrados
a amizade sorri à minha frente
apreço, carinho, prazer
conversas quase tão mágicas
as the doors of perception
Se tudo está confuso,
a lâmpada acende
o dedo estala
pelos bacos dos tambores
o som encorpora
com intrepidez e audácia
Mesmo louvando a terra
no piso da grande laranja redonda
a relevância perdura
Crucialidade no cume do Everest
Muito obrigado senhor bombeador!
16/23/02
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Conversas e A vida nos fodendo cade vez mais e mais
Oba também te vejo lá
no Futuro
ouié
famigerado futuro
Grande, gigantesco futuro que nos aguarda ansiosamente pra foder com a gente cada dia mais e mais
Majestoso, poroso futuro,por onde nos deixamos escorrer...futuro é quem se embebeda, no álcool que somos nós. Bêbado, trupicando, na espera, ansiosamente para foder agente cada dia mais e mais.
E enquanto eu bato minha cabeça na parede, percebo que a vida que antes me fodia, agora continua me fodendo cada vez mais e mais, pois alem do vazio, minha cabeça sangrava.
Sangrava pra caralho
terça-feira, 16 de agosto de 2016
Sobre metafísica
O sol nascia imaculado no horizonte.
Era longe, depois dos vaporosos oceanos de sal e dos vítreos desertos de granulada esmeralda. Em uma ilha de chumbo erguia-se uma imensa torre de mármore pálida e lisa. A torre, perfeitamente lapidada e polida por fora consistia, em seu interior, de delgados labirintos de espelhos dos mais sortidos – Coloridos, transparentes, convexos, côncavos, reais e ilusórios – e nela habitava um ser peculiar. O único e absurdo habitante dessa onírica torre atendia pelo nome de Tomás. Tomás era liso e branco como o mármore que revestia a torre por fora e delgado e metafórico como os espelhos que a preenchiam por dentro. Não possuia um pelo sequer pelo corpo e tinha olhos níveos e cinzentos.
Tomás vivia em um eterno dilemo que consistia nas terríveis ambiguidades de se viver em um labirinto de espelhos: Em primeiro lugar, ele era a torre ou a torre era ele? Depois, ele era Tomás, homem de carne e osso ou apenas mais um reflexo do símbolo que atendia por esse nome? Ou ainda, estaria ele olhando para os espelhos ou estava se olhando de dentro deles? Ele era real? Entre âmbitos e contextos os dias se transcorriam líquidos e monótonos para aquele que eternamente mergulhava na própria imagem refletida no espelho.
O homem, num lânguido e plúmbeo dia se levanta e de praxe contempla sua imagem refletida naqueles etéreos pedaços de vidro. Como um espasmo sabia que fora parar dentro daquele espelho e la de dentro sua visão era absoluta: mais e mais espelhos. Tomás se perguntava se mudava algum detalhe de seu ser a cada mergulho no seu reflexo. O que havia de essência nele após tantas mudanças? Estaria seu âmago diluído entre tantos simulacros? Continuava sua jornada diária rumo ao nada. Sentia-se levemente ansioso e um tanto quanto angustiado, mas isso ja era hábito.
Continuava seu lácteo navegar. De subito outra velha dúvida assoltou seus nervos atônitos: De frente para o espelho ele se perguntava se fitava o seu reflexo, sendo o original ele, ou ao contrário, fitava o original, sendo ele apenas reflexo. Talvez apenas dois reflexos, como poderia saber? Tomás era apenas um símbolo diluído na torre, uma imagem e uma ideia sem raiz concreta. Um sentimento estranho começava a fervilhar no seu crânio e seus dedos tamborilavam as marmóreas coxas. Seu coração batia sincopado e palpitante, seu navegar acelerava...
Tudo era ofuscante e cremoso, Tomás não era nem ideia nem imagem, era performace. Performava hesitante entre suas trêmulas simulaçoes. Tomás não era carne mas apenas simbólico reflexo de espelho, era uma abstração que morria e se dissolvia perante a própria imagem. Tentou fechar os olhos mas não adiantou, os sentidos eram apenas reflexos vazios, os pensamentos apenas reflexos vazios, as palavras apenas reflexos vazios e as imagens e a forma eram reflexo vazio. Tomás era reflexo vazio e agora a duvida se metamorfoseava em certeza e seus pobres miolos simplesmente sabiam que não eram reais. Ele sabia que não era real. Tomás não existia como homem nem como ideia nem como nada, Tomás era apenas linguagem coagulada e refletida no espelho. Tomás era apenas uma consciência solipsista, um monólogo ilusório e simbólico que hesitava pelas vielas tristes da existência.
No orgasmo masoquista de seu esquizofrênico frenesi, Tomás se agarrou ao impeto e arremessou com uma considerável enfática violência seu crânio contra a cálida lâmina de vidro e lá, naquele único instante suspenso onde o sangue jorrava e os miolos e os cacos de vidro voavam para todos os lados que Tomás foi, por um tímido átimo de segundo, real. Sim, Tomás foi por um instante real e depois morreu, apodreceu dentro de sua metafórica torre de mármore completamente sozinho e carnal e pútrido, humano.
Tudo isso longe, depois dos vaporosos oceanos de sal e dos vítreos desertos de granulada esmeralda onde agora o sol se punha...
Téo Serson, Sertão do cantagalo, MG, Julho de 2016.
Era longe, depois dos vaporosos oceanos de sal e dos vítreos desertos de granulada esmeralda. Em uma ilha de chumbo erguia-se uma imensa torre de mármore pálida e lisa. A torre, perfeitamente lapidada e polida por fora consistia, em seu interior, de delgados labirintos de espelhos dos mais sortidos – Coloridos, transparentes, convexos, côncavos, reais e ilusórios – e nela habitava um ser peculiar. O único e absurdo habitante dessa onírica torre atendia pelo nome de Tomás. Tomás era liso e branco como o mármore que revestia a torre por fora e delgado e metafórico como os espelhos que a preenchiam por dentro. Não possuia um pelo sequer pelo corpo e tinha olhos níveos e cinzentos.
Tomás vivia em um eterno dilemo que consistia nas terríveis ambiguidades de se viver em um labirinto de espelhos: Em primeiro lugar, ele era a torre ou a torre era ele? Depois, ele era Tomás, homem de carne e osso ou apenas mais um reflexo do símbolo que atendia por esse nome? Ou ainda, estaria ele olhando para os espelhos ou estava se olhando de dentro deles? Ele era real? Entre âmbitos e contextos os dias se transcorriam líquidos e monótonos para aquele que eternamente mergulhava na própria imagem refletida no espelho.
O homem, num lânguido e plúmbeo dia se levanta e de praxe contempla sua imagem refletida naqueles etéreos pedaços de vidro. Como um espasmo sabia que fora parar dentro daquele espelho e la de dentro sua visão era absoluta: mais e mais espelhos. Tomás se perguntava se mudava algum detalhe de seu ser a cada mergulho no seu reflexo. O que havia de essência nele após tantas mudanças? Estaria seu âmago diluído entre tantos simulacros? Continuava sua jornada diária rumo ao nada. Sentia-se levemente ansioso e um tanto quanto angustiado, mas isso ja era hábito.
Continuava seu lácteo navegar. De subito outra velha dúvida assoltou seus nervos atônitos: De frente para o espelho ele se perguntava se fitava o seu reflexo, sendo o original ele, ou ao contrário, fitava o original, sendo ele apenas reflexo. Talvez apenas dois reflexos, como poderia saber? Tomás era apenas um símbolo diluído na torre, uma imagem e uma ideia sem raiz concreta. Um sentimento estranho começava a fervilhar no seu crânio e seus dedos tamborilavam as marmóreas coxas. Seu coração batia sincopado e palpitante, seu navegar acelerava...
Tudo era ofuscante e cremoso, Tomás não era nem ideia nem imagem, era performace. Performava hesitante entre suas trêmulas simulaçoes. Tomás não era carne mas apenas simbólico reflexo de espelho, era uma abstração que morria e se dissolvia perante a própria imagem. Tentou fechar os olhos mas não adiantou, os sentidos eram apenas reflexos vazios, os pensamentos apenas reflexos vazios, as palavras apenas reflexos vazios e as imagens e a forma eram reflexo vazio. Tomás era reflexo vazio e agora a duvida se metamorfoseava em certeza e seus pobres miolos simplesmente sabiam que não eram reais. Ele sabia que não era real. Tomás não existia como homem nem como ideia nem como nada, Tomás era apenas linguagem coagulada e refletida no espelho. Tomás era apenas uma consciência solipsista, um monólogo ilusório e simbólico que hesitava pelas vielas tristes da existência.
No orgasmo masoquista de seu esquizofrênico frenesi, Tomás se agarrou ao impeto e arremessou com uma considerável enfática violência seu crânio contra a cálida lâmina de vidro e lá, naquele único instante suspenso onde o sangue jorrava e os miolos e os cacos de vidro voavam para todos os lados que Tomás foi, por um tímido átimo de segundo, real. Sim, Tomás foi por um instante real e depois morreu, apodreceu dentro de sua metafórica torre de mármore completamente sozinho e carnal e pútrido, humano.
Tudo isso longe, depois dos vaporosos oceanos de sal e dos vítreos desertos de granulada esmeralda onde agora o sol se punha...
Téo Serson, Sertão do cantagalo, MG, Julho de 2016.
terça-feira, 9 de agosto de 2016
Crânio e conciencia
Extase! Adrenalina! Pulsão!
O gás elétrico penetrando o crânio e
Evaporando
O cérebro-conciencia ionizado e cabeludo uivando para
A teia leitosa do universo.
Como a falta de sexo e a falta de identidade
Escorrendo
No espelho.
De fato,
É notória a insignificancia da psique humana no ambito
De fazer escolhas.
Fantasma da minha mente, desce do céu para
Habitar minha carne e desarme
Todos os bilhoes de olhos elétricos e aproveite
Para mandar Deus tomar no cu!
Nenhuma glória para o homem! Nenhuma glória!
Nenhuma gloria para o homem! Nao para mim,
Nenhuma glória para mim!
Os tentaculos
Que brotam de paginas amareladas
E imaculam
O descompasso e o grito em todos os seus ambitos
E a minha imagem nu apodrecendo no espelho.
Vermes robóticos rastejando por bares sujos e
injetando gás elétrico no meu crânio.
Um dia morte vai me golpear apodrecido e nu e dissipará
A névoa de gás elétrico do meu crânio e só sobrará
Crânio
Amarelado, ossudo, material e fétido.
Toxina caustica da palavra e do sexo
A ilusão fenomenológica da conciencia e do sentido.
Ahh maquinaria, cesse o martelar das perguntas!
Pare com a injeção dos fluidos de Thanatos ambiguo!
Perfure o tecido simbólico e a carne da linguagem!
Foda todos os cus e todas as bucetas!
Os vermes robóticos planejam antropofagia e revolução,
O gás elétrico está fervilhando no meu crânio,
Nenhuma glória para o homem!
Nenhuma glória!
Nenhuma gloria para mim! Nao para mim,
Não para mim...
Nenhuma glória para mim...
O gás elétrico penetrando o crânio e
Evaporando
O cérebro-conciencia ionizado e cabeludo uivando para
A teia leitosa do universo.
Como a falta de sexo e a falta de identidade
Escorrendo
No espelho.
De fato,
É notória a insignificancia da psique humana no ambito
De fazer escolhas.
Fantasma da minha mente, desce do céu para
Habitar minha carne e desarme
Todos os bilhoes de olhos elétricos e aproveite
Para mandar Deus tomar no cu!
Nenhuma glória para o homem! Nenhuma glória!
Nenhuma gloria para o homem! Nao para mim,
Nenhuma glória para mim!
Os tentaculos
Que brotam de paginas amareladas
E imaculam
O descompasso e o grito em todos os seus ambitos
E a minha imagem nu apodrecendo no espelho.
Vermes robóticos rastejando por bares sujos e
injetando gás elétrico no meu crânio.
Um dia morte vai me golpear apodrecido e nu e dissipará
A névoa de gás elétrico do meu crânio e só sobrará
Crânio
Amarelado, ossudo, material e fétido.
Toxina caustica da palavra e do sexo
A ilusão fenomenológica da conciencia e do sentido.
Ahh maquinaria, cesse o martelar das perguntas!
Pare com a injeção dos fluidos de Thanatos ambiguo!
Perfure o tecido simbólico e a carne da linguagem!
Foda todos os cus e todas as bucetas!
Os vermes robóticos planejam antropofagia e revolução,
O gás elétrico está fervilhando no meu crânio,
Nenhuma glória para o homem!
Nenhuma glória!
Nenhuma gloria para mim! Nao para mim,
Não para mim...
Nenhuma glória para mim...
Ofícios ilusórios
Em meio aos trituradores de carne
e
as engrenagens enferrujadas
estamos
eu, você, os vales e
as
robustas montanhas acariciadas
pelas
nuvens infinitas,
Sempre
a exercer
o
ofício absoluto do viver
É
difícil, eu sei,
ter
lâminas de prata contra
teu
próprio seio ou
Assistir
os pavorosos gigantes
de
pedra que estão vindo
para
esmagar teu crânio como
se
tu fosses um inseto sem rumo
Mas
não é isso que tu és?
Um
nômade no meio da
estrada
sem saber para onde ir?
Cheio
de sede, amor, frio, calor,
com
tua perna sangrando e
tua
cabeça gozando paisagens irreais
Mas
de que importa?
Não
importa! Está preocupado em
encontrar
teu rumo, eu sei
É
duro sentir na pele os
próprios ímpetos
irracionais eclodindo
Mas
desde que tenhas algo a encontrar
sangue
é só sangue,
os
ímpetos são só a biriba da criança
A
real dureza não é o sentir,
e
sim o não sentir
encontrar-se
no vácuo sem céu
ou
chão, a falta do plano e do
esférico.
Nem preto, nem branco.
Por
isso agarre-se a memória
Ela
é o resquício aliviante do
teu
remédio anti-insanidade
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
a que ponto?
A que ponto chegamos?
Chegamos em algum ponto?
acho que realmente não sei o que é ponto final
Fim do ponto
Chegamos aonde? e se chegamos, foi em algum ponto
Talvez tenhamos saindo do nada ou de algum ponto
Mas pontualmente saímos
Realmente não sei se estamos indo ou voltando
Travei nessa
pensei, tentei entender, pensei mas no fim ainda não tenho claro o que de pontos tenho a ponto de chegar
Chegamos em algum ponto?
acho que realmente não sei o que é ponto final
Fim do ponto
Chegamos aonde? e se chegamos, foi em algum ponto
Talvez tenhamos saindo do nada ou de algum ponto
Mas pontualmente saímos
Realmente não sei se estamos indo ou voltando
Travei nessa
pensei, tentei entender, pensei mas no fim ainda não tenho claro o que de pontos tenho a ponto de chegar
sexta-feira, 5 de agosto de 2016
Subvertendo a métrica da existencia (apenas palavras)
O verso
É livre e sempre o foi, sendo a métrica
Uma armadura contra a angustia copiosa da folha em branco
Assim como
A vida
Que é uma folha em branco que metrificamos para fugir da angustia do absurdo e da liberdade numa eterna briga com a métrica abstrata de
Existir,
A folha está em branco e você pode fazer
O que quizer
Mas não caia em hedonismo para evitar a contemplação do semblante da queda, e não queira isso, crepusculo dos idolos ou a morte de deuses,
Uma improvisação jazzistica em uma escala
Imagética e colorida,
Nada é
Real,
Esta tudo na sua cabeça mas não caia em solipsismo ou você perderá o fio condutor da vida e isso é um caminho sem volta
E nunca mais volte
Ou você colidirá com o tempo e toda a maquinaria civilizatória e urbana assim como toda pós-modernidade orbitando a sintese
Do sistema capitalista com o sentido da vida
Enlatados em uma salmoura oleosa de
Código
E pulsão, vendido por
14 reais e 74 centavos no mercado da esquina e descartado
No lixo reciclavel de antropofagia simbólica e
De que importa? A folha
Continua em branco e eu estou cansado
De arrastar meu cu pelas vielas cronologicas desse universo mas
Não caia em suicidio
Ou você não escreverá mais a porra de nenhum
Verso
Na folha em branco desse poema-existencia sagrado, então continue
!~^}!.€\£]£]'||{*\'
&&&9@$$$$)((;(:)/$/$$
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[}[}[}[}[}[}[}[}[}[
[=+*]+€€]^^^]>]%]?{^]>]>]^]>]>]^]><<%|<|<>|>\^{>|%%>\>\€€
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que se foda.ponto final
!!!
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É livre e sempre o foi, sendo a métrica
Uma armadura contra a angustia copiosa da folha em branco
Assim como
A vida
Que é uma folha em branco que metrificamos para fugir da angustia do absurdo e da liberdade numa eterna briga com a métrica abstrata de
Existir,
A folha está em branco e você pode fazer
O que quizer
Mas não caia em hedonismo para evitar a contemplação do semblante da queda, e não queira isso, crepusculo dos idolos ou a morte de deuses,
Uma improvisação jazzistica em uma escala
Imagética e colorida,
Nada é
Real,
Esta tudo na sua cabeça mas não caia em solipsismo ou você perderá o fio condutor da vida e isso é um caminho sem volta
E nunca mais volte
Ou você colidirá com o tempo e toda a maquinaria civilizatória e urbana assim como toda pós-modernidade orbitando a sintese
Do sistema capitalista com o sentido da vida
Enlatados em uma salmoura oleosa de
Código
E pulsão, vendido por
14 reais e 74 centavos no mercado da esquina e descartado
No lixo reciclavel de antropofagia simbólica e
De que importa? A folha
Continua em branco e eu estou cansado
De arrastar meu cu pelas vielas cronologicas desse universo mas
Não caia em suicidio
Ou você não escreverá mais a porra de nenhum
Verso
Na folha em branco desse poema-existencia sagrado, então continue
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que se foda.ponto final
!!!
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segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Perambulaçoes litoraneas
O mar acariciava o vento
E pulsava grave, mitico e sincopado.
O vai e vem das vagas e espumas como
Dias, meses, anos, e quem sabe o que será o dia de amanhã?
O oceano austero e nebuloso
Com brancas espumas e asperas ondas
E o dia se transcorria descalço e tranquilo
Com o pé na areia.
Praia no inverno também é lindo pra caralho
E as amendoeiras recitam o silencio.
– E não é só porque ele é um homem absurdo, um atleta espontaneo, um monje urbano, um vegetariano ascético e um maluco completo que pratica parkour e escala rochas e da giros pirados no ar e ama a natureza e a deriva como eu que ele me facinava. Ele era mais um dos anjos malucos que eu seguia por instinto ou curiosidade e também um grande amigo e aqui estavamos nós acampando em uma praia quase deserta no extremo sul do rio de janeiro e seja o que deus quizer ou ao contrario –
Lucas e eu a escalar pedras, perambular na areia e debater a existencia
Lucas, o empirista bagual, o monje gentil
Lucas, experienciador do vazio, atleta sagrado,
Lucas e eu e a praia do sono
E a barraca azul e as canecas angelicais
De arroz ou macarrão com milho e ervilhas enlatadas e um pouco de chá
Ou o horizonte e quiça as trilhas para as praias ao lado.
E eu, solipsista lascivo afetuoso
Téo,
Mais um homem abaixo desses céus imaculados
Que sobrevive em contextos que se explodem e se misturam
Como ondas opacas no mar frio.
E eu sentava com todo maconheiro que eu via pela frente para
Trocar uma ideia e dar uns tragos e é sempre bom,
Queimar um fuminho, e agora escrevo, baurético,
Sobre a deriva beatifica do oceano.
Pois a natureza do absurdo é a escolha
E a questão é o destino simbólico-pragmatico que se da a condição de ser:
O que cada um faz com o vazio dentro de si.
E de pouco importa o pensar ou o agir
Pois o existir é apenas agarrar firme em uma pedra
E o tempo é tão efemero e seco como folhas caidas das amendoeiras,
De tempos em tempos, entre contextos e contextos
O mar, e a possibilidade do contemplar do azul arqueado em ondas.
Como uma vez me disse um elétrico espontaneo amigo:
"Um dia vamos chegar ao mar
– Há de ser sublime"
E pulsava grave, mitico e sincopado.
O vai e vem das vagas e espumas como
Dias, meses, anos, e quem sabe o que será o dia de amanhã?
O oceano austero e nebuloso
Com brancas espumas e asperas ondas
E o dia se transcorria descalço e tranquilo
Com o pé na areia.
Praia no inverno também é lindo pra caralho
E as amendoeiras recitam o silencio.
– E não é só porque ele é um homem absurdo, um atleta espontaneo, um monje urbano, um vegetariano ascético e um maluco completo que pratica parkour e escala rochas e da giros pirados no ar e ama a natureza e a deriva como eu que ele me facinava. Ele era mais um dos anjos malucos que eu seguia por instinto ou curiosidade e também um grande amigo e aqui estavamos nós acampando em uma praia quase deserta no extremo sul do rio de janeiro e seja o que deus quizer ou ao contrario –
Lucas e eu a escalar pedras, perambular na areia e debater a existencia
Lucas, o empirista bagual, o monje gentil
Lucas, experienciador do vazio, atleta sagrado,
Lucas e eu e a praia do sono
E a barraca azul e as canecas angelicais
De arroz ou macarrão com milho e ervilhas enlatadas e um pouco de chá
Ou o horizonte e quiça as trilhas para as praias ao lado.
E eu, solipsista lascivo afetuoso
Téo,
Mais um homem abaixo desses céus imaculados
Que sobrevive em contextos que se explodem e se misturam
Como ondas opacas no mar frio.
E eu sentava com todo maconheiro que eu via pela frente para
Trocar uma ideia e dar uns tragos e é sempre bom,
Queimar um fuminho, e agora escrevo, baurético,
Sobre a deriva beatifica do oceano.
Pois a natureza do absurdo é a escolha
E a questão é o destino simbólico-pragmatico que se da a condição de ser:
O que cada um faz com o vazio dentro de si.
E de pouco importa o pensar ou o agir
Pois o existir é apenas agarrar firme em uma pedra
E o tempo é tão efemero e seco como folhas caidas das amendoeiras,
De tempos em tempos, entre contextos e contextos
O mar, e a possibilidade do contemplar do azul arqueado em ondas.
Como uma vez me disse um elétrico espontaneo amigo:
"Um dia vamos chegar ao mar
– Há de ser sublime"
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