segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Perambulaçoes litoraneas

O mar acariciava o vento
E pulsava grave, mitico e sincopado.
O vai e vem das vagas e espumas como
Dias, meses, anos, e quem sabe o que será o dia de amanhã?
O oceano austero e nebuloso
Com brancas espumas e asperas ondas
E o dia se transcorria descalço e tranquilo
Com o pé na areia.
Praia no inverno também é lindo pra caralho
E as amendoeiras recitam o silencio.

– E não é só porque ele é um homem absurdo, um atleta espontaneo, um monje urbano, um vegetariano ascético e um maluco completo que pratica parkour e escala rochas e da giros pirados no ar e ama a natureza e a deriva como eu que ele me facinava. Ele era mais um dos anjos malucos que eu seguia por instinto ou curiosidade e também um grande amigo e aqui estavamos nós acampando em uma praia quase deserta no extremo sul do rio de janeiro e seja o que deus quizer ou ao contrario –

Lucas e eu a escalar pedras, perambular na areia e debater a existencia
Lucas, o empirista bagual, o monje gentil
Lucas, experienciador do vazio, atleta sagrado,
Lucas e eu e a praia do sono
E a barraca azul e as canecas angelicais
De arroz ou macarrão com milho e ervilhas enlatadas e um pouco de chá
Ou o horizonte e quiça as trilhas para as praias ao lado.
E eu, solipsista lascivo afetuoso
Téo,
Mais um homem abaixo desses céus imaculados
Que sobrevive em contextos que se explodem e se misturam
Como ondas opacas no mar frio.

E eu sentava com todo maconheiro que eu via pela frente para
Trocar uma ideia e dar uns tragos e é sempre bom,
Queimar um fuminho, e agora escrevo, baurético,
Sobre a deriva beatifica do oceano.

Pois a natureza do absurdo é a escolha
E a questão é o destino simbólico-pragmatico que se da a condição de ser:
O que cada um faz com o vazio dentro de si.
E de pouco importa o pensar ou o agir
Pois o existir é apenas agarrar firme em uma pedra
E o tempo é tão efemero e seco como folhas caidas das amendoeiras,
De tempos em tempos, entre contextos e contextos
O mar, e a possibilidade do contemplar do azul arqueado em ondas.
Como uma vez me disse um elétrico espontaneo amigo:
"Um dia vamos chegar ao mar
                                  – Há de ser sublime"
                   




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