Em meio aos trituradores de carne
e
as engrenagens enferrujadas
estamos
eu, você, os vales e
as
robustas montanhas acariciadas
pelas
nuvens infinitas,
Sempre
a exercer
o
ofício absoluto do viver
É
difícil, eu sei,
ter
lâminas de prata contra
teu
próprio seio ou
Assistir
os pavorosos gigantes
de
pedra que estão vindo
para
esmagar teu crânio como
se
tu fosses um inseto sem rumo
Mas
não é isso que tu és?
Um
nômade no meio da
estrada
sem saber para onde ir?
Cheio
de sede, amor, frio, calor,
com
tua perna sangrando e
tua
cabeça gozando paisagens irreais
Mas
de que importa?
Não
importa! Está preocupado em
encontrar
teu rumo, eu sei
É
duro sentir na pele os
próprios ímpetos
irracionais eclodindo
Mas
desde que tenhas algo a encontrar
sangue
é só sangue,
os
ímpetos são só a biriba da criança
A
real dureza não é o sentir,
e
sim o não sentir
encontrar-se
no vácuo sem céu
ou
chão, a falta do plano e do
esférico.
Nem preto, nem branco.
Por
isso agarre-se a memória
Ela
é o resquício aliviante do
teu
remédio anti-insanidade
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