terça-feira, 9 de agosto de 2016

Ofícios ilusórios

Em meio aos trituradores de carne 
e as engrenagens enferrujadas
estamos eu, você, os vales e
as robustas montanhas acariciadas
pelas nuvens infinitas,
Sempre a exercer 
o ofício absoluto do viver

É difícil, eu sei,
ter lâminas de prata contra
teu próprio seio ou
Assistir os pavorosos gigantes 
de pedra que estão vindo 
para esmagar teu crânio como
se tu fosses um inseto sem rumo

Mas não é isso que tu és?
Um nômade no meio da
estrada sem saber para onde ir?
Cheio de sede, amor, frio, calor,
com tua perna sangrando e
tua cabeça gozando paisagens irreais
Mas de que importa?

Não importa! Está preocupado em
encontrar teu rumo, eu sei
É duro sentir na pele os
próprios ímpetos irracionais eclodindo 
Mas desde que tenhas algo a encontrar
sangue é só sangue,
os ímpetos são só a biriba da criança 

A real dureza não é o sentir,
e sim o não sentir
encontrar-se no vácuo sem céu
ou chão, a falta do plano e do
esférico. Nem preto, nem branco.
Por isso agarre-se a memória
Ela é o resquício aliviante do
teu remédio anti-insanidade   

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