Os manequins de mármore fitavam a chuva de agulhas no céu branco e pastoso daquele aeroporto distante. O garoto com olhos de ressaca passeia leve entre os manequins e as agulhas e sangra a sua medula psíquica e cai no chão como um invólucro de osso murchos. Em seus olhos as chamas escorriam em riachos gélidos.
(Imagens caem como opalas no céu de glicerina)
A inquietude solipsista impele o sujeito ao longo da experiência... a garota de parafina deitada sobre a grande cama de ferro... trens passam zunindo através de planícies de eletricidade... um rio rançoso de esperma onde nadam serpentes lesmolisas... arvores coloridas ateadas a fumaça... o sereno inconsciente – bolsão de intensidade ectoplasmatica – do lascivo frenético... céus preguiçosos deitados em nuvens sólidas como plástico... a lagrima do sol gotejando sobre uma cordilheira de gotas de sal... o tempo voa como uma maquina de escrever quebrada...
(Cacos de imagem desabam lentos, como lascas de opala atravessando glicerina)
Uma orgia juvenil de inocência, todos se fodem e se chupam e assopram fumaça de cachimbos de haxixe em suas respectivas genitais rosadas.
Na praia esfarelada e branca só havia um velho esquelético com seu sobretudo negro e uma jovem garota nua. Ventava. Desolação. O velho junkie encapuzado oferece as pílulas de realidade e uma seringa cheia de morfina para a menina nua com olhos de oceano. "Pegue, isso não lhe custará nada além de tempo" "Tempo?.." "Sim, mas não é nada de mais, apenas uns cinco minutinhos agora, uma hora depois, cinco dias ou dois anos quem sabe, não precisa entender agora"
"Ta.."
(O sangue da infância brota no conta gotas como uma flor chinesa flutuando em um oceano de morfina)
Extensas estruturas metálicas bebem o céu em goles... navalhas cronológicas dilaceram símbolos... rochedos relampejam de agitação e angustia... uma pedra em um rio profundo e pardacento onde mora o âmago do medo... nuvens de ópio conduzem o imaginário através das navalhas... uma boceta metafísica gigante com dentes que suga as estrelas do céu de gelo... caralho duros e palpitantes gozando a pulsão de vida no interior de bocetas úmidas e adocicadas... um luar de olhos sobre a cidade... a teia fétida do espectro enrabando o seu reflexo no espelho... o mundo de imagens se esfumaça e segue como uma nuvem abstrata em direção a eternidade...
É preciso ser iconoclasta para com seus próprios deuses mutilados,
É preciso ser amoral.
Nada é preciso pois tudo é, heis os fatos.
(Viver é perigoso)
Ele caminha pela rua em um dia chuvoso. O céu estava branco e pastoso e choviam agulhas que atravessavam os medos nas nuvens de glicerina. Ele se encontra com o velho encapuzado e tenta em vão jogar as suas cores para o vazio. O velho o encara no fundo da medula como uma estatua de parafina e em seus olhos um violento rio gélido e voluptuoso escorre de suas pupilas afiadas como agulhas.
O minerador de ilusões contempla todas as suas rochas coloridas. Narrativas se estendem como figuras em exibição. Sonhos evaporam da mina melancólica. O menino contempla o jovem homem nu a caminhar por certezas invisíveis e translúcidas e começa a chorar. O menino chora e o tempo voa como lascas de opala atravessando glicerina. O jovem homem cai na lagoa de sangue com o céu de espelhos. O minerador de ilusões ascende um baseado.
Depois de transarem cada gota de suas ansiedades os jovens nus de corpo róseo se jogam no fogo ardente de suas pulsões e suas carnes se dilaceram na frenética chama ardente da volúpia.
Uma donzela de vidro se deita no céu.
Lagoas de óleo incendeiam céus de gasolina.
(Verdadeiras visões e verdadeiras prisões)
Alegorias não passam de alface
Não escondam a loucura.
(Téo), SP
Esse blog tem como objetivo tornar publico ideias artisticas fracassadas de um bando de medíocres pretensiosos. Aqui você escontrara poemas, tirinhas, textos e outros lixos pseudo-artísticos. Seja bem vindo.
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Ultimo poema da viagem
Uma sobriedade suturada ao lábio
Costurou os dias como uma agulha ensanguentada.
Para além disso eu ri,
Entorpecido e ululante a flutuar sobre as nuvens de óleo no céu de plástico.
Para além disso eu senti
Senti na pele o incendiar dos mundos
E sangrei na carne cada efêmero
Que se
Fez
Sublime.
Os navios de aço tilintante pelos entardeceres em
Verso.
Os versos da prosa de um dia depois do outro
Fizeram-se coloridos e por um instante cálido
Eu
Quiz ser a vida em todos os seus âmbitos e azuis.
Quiça leve como chumbo
Ou nem sei,
Vai ver
Cada seringa destilou mais um dose
Do liquido laranjaroxeado de pulsante
Poesia.
Cada lírica possui o seu mamilo de cobre
Mas para entardecer faz-se necessário
Primeiramente morrer um dia embriagado
Ou viver sendo cálido a lagrima suturada ao céu
Pelo fio do verbo
Errante...
Costurou os dias como uma agulha ensanguentada.
Para além disso eu ri,
Entorpecido e ululante a flutuar sobre as nuvens de óleo no céu de plástico.
Para além disso eu senti
Senti na pele o incendiar dos mundos
E sangrei na carne cada efêmero
Que se
Fez
Sublime.
Os navios de aço tilintante pelos entardeceres em
Verso.
Os versos da prosa de um dia depois do outro
Fizeram-se coloridos e por um instante cálido
Eu
Quiz ser a vida em todos os seus âmbitos e azuis.
Quiça leve como chumbo
Ou nem sei,
Vai ver
Cada seringa destilou mais um dose
Do liquido laranjaroxeado de pulsante
Poesia.
Cada lírica possui o seu mamilo de cobre
Mas para entardecer faz-se necessário
Primeiramente morrer um dia embriagado
Ou viver sendo cálido a lagrima suturada ao céu
Pelo fio do verbo
Errante...
O primeiro poema da viagem
Por todo o oceano de cubículos quadrados e pálidos
Até o léu,
O céu
Esbranquiçado e cândido como glicerina.
Cidade cor de creme com pinheiros verdeacinzentados
Pequenas ruas, coníferas e a grande baia verdeazulada.
O que
Sei
Eu de mim?
Para além da velha imagem esculpida
Da criança loira e nua caminhando
Com uma pequena flor branca e amarela ao longo daquele
Colo de serra.
Cools e Freaks queimam baseados puros
No Golden Gate Park,
Veados caminham despreocupados
Pelas ruas de San Francisco
Mas eu ainda não fui absolvido no tribunal das nuvens
E apesar de tudo,
Eu ainda renego o meu existir para mim.
O ar escorre frio e ensolarado pelas ladeiras sinuosas
– Existe dor no meu sorrir
E alegria na minha dor –
Mas ainda assim o passar dos dias ainda me lembra
Um jardim.
A carne só retornará a carne quando a ultima gota
Desse
Acido lácteo superegóico for drenada
E a ultima gota da
Ultima
Ampola de esperma tiver repicado minhas veias purulentas e sonoras.
Também, para que se importar se tudo isso é tão absurdo?
Ainda sofro das esperanças de um dia ser
Adotado pelo
Castelo.
Um dia o simbólico vai explodir se não compreender que
Não pode
Englobar o imaginário e o real.
– crucificado pelas próprias encruzilhadas empoeiradas –
A beleza me fura os olhos
Na exata medida
De um Borroughts, Maiakóvski ou até um solo espontâneo de John Coltrane.
As cores dessa cidade são leves
Quando orquestradas por Villa Lobos
E talvez, quiça,
Eu até esteja com um pouco de saudades.
Os fios elétricos da consciência garantem
A hegemonia da ideia férrea
Como o uivo que escorre das chaminés por gargalos de cobre
(Meu maior conflito sempre será a castração de fantasia) .
Barracas de imagens gastas, nuvens de framboesa,
A fumaça seca e espelhada de um cigarro de maconha,
Nunca sei se no final eu gosto ou não gosto do mundo e de mim.
Forcas
Esganam cidades.
A Califórnia é um lugar peculiar, SF é uma vibe.
A cor do cotidiano nada mais é do que a doce melodia
Do flautista do esgoto.
Porque estou sempre deitado no mesmo cinzeiro de cinzas e brasas?
Me declaro morto enforcado em um cordão de esperma
– Eu não me absolvo –
Que alma existe sem poréns?
San francisco, 12 de novembro, noite
(Téo)
Até o léu,
O céu
Esbranquiçado e cândido como glicerina.
Cidade cor de creme com pinheiros verdeacinzentados
Pequenas ruas, coníferas e a grande baia verdeazulada.
O que
Sei
Eu de mim?
Para além da velha imagem esculpida
Da criança loira e nua caminhando
Com uma pequena flor branca e amarela ao longo daquele
Colo de serra.
Cools e Freaks queimam baseados puros
No Golden Gate Park,
Veados caminham despreocupados
Pelas ruas de San Francisco
Mas eu ainda não fui absolvido no tribunal das nuvens
E apesar de tudo,
Eu ainda renego o meu existir para mim.
O ar escorre frio e ensolarado pelas ladeiras sinuosas
– Existe dor no meu sorrir
E alegria na minha dor –
Mas ainda assim o passar dos dias ainda me lembra
Um jardim.
A carne só retornará a carne quando a ultima gota
Desse
Acido lácteo superegóico for drenada
E a ultima gota da
Ultima
Ampola de esperma tiver repicado minhas veias purulentas e sonoras.
Também, para que se importar se tudo isso é tão absurdo?
Ainda sofro das esperanças de um dia ser
Adotado pelo
Castelo.
Um dia o simbólico vai explodir se não compreender que
Não pode
Englobar o imaginário e o real.
– crucificado pelas próprias encruzilhadas empoeiradas –
A beleza me fura os olhos
Na exata medida
De um Borroughts, Maiakóvski ou até um solo espontâneo de John Coltrane.
As cores dessa cidade são leves
Quando orquestradas por Villa Lobos
E talvez, quiça,
Eu até esteja com um pouco de saudades.
Os fios elétricos da consciência garantem
A hegemonia da ideia férrea
Como o uivo que escorre das chaminés por gargalos de cobre
(Meu maior conflito sempre será a castração de fantasia) .
Barracas de imagens gastas, nuvens de framboesa,
A fumaça seca e espelhada de um cigarro de maconha,
Nunca sei se no final eu gosto ou não gosto do mundo e de mim.
Forcas
Esganam cidades.
A Califórnia é um lugar peculiar, SF é uma vibe.
A cor do cotidiano nada mais é do que a doce melodia
Do flautista do esgoto.
Porque estou sempre deitado no mesmo cinzeiro de cinzas e brasas?
Me declaro morto enforcado em um cordão de esperma
– Eu não me absolvo –
Que alma existe sem poréns?
San francisco, 12 de novembro, noite
(Téo)
quinta-feira, 24 de novembro de 2016
... e não é nada pessoal
pelo fato de que não sei se sei o que é estar sozinha mas ter uma consciência, por mais que esta não esteja no raso, de que sempre soube que estive sozinha. por contar com estímulos excessivos e atividades consideradas úteis. por contar com a conclusão de uma atividade atrás da outra e não saber mais como ocupar a cabeça que no fundo vazia acaba se enchendo de angústias sem motivo ou com motivos que também acabo por considerar inválidos. por buscar momentaneamente tais estímulos tais movimentos e por as vezes, desejar morrer. por saber que talvez inclusive o desejo momentâneo, efêmero da auto aniquilação também é egoísta. por incessantemente prezar pelo coletivo, tomar cuidado com o lixo da seletividade e do julgamento e consequente se tornar mais leve e livre do ego. por lutar constantemente contra o tal ego que não deixa de ir embora. por não saber como me livrar deste. por simplesmente correr atrás de ajuda e não cuidar amar e aquecer aqueles mais próximos. por querer não estar sozinha, satisfazer desejos e a alimentação através também de um possível extremo afeto. por gostar demais de todos os outros e por no fundo me odiar intensamente. por não saber de nada por querer saber de tudo por alcançar constatações progressivas pelo medo da exposição e destruição progressiva por parte dos químicos do cigarro, da ocupação do tempo vazio. pela busca da intensidade da compreensão real da música da contenção do esforço de precisar cuidar dos outros e não desconsiderar e minimizar ninguém. por ter consciência de que todos tem valor, mais valor que você mesma e pela luta a inferiorização tanto de si, quanto de todos eles. por olhar pra ele e ver você mesma e seus defeitos. não sou capaz de me calar. não tenho certeza de nada. e as constatações continuam não valendo na tão esperada conclusão que também no fundo você sabe, teme que nunca vai chegar. por escrever para alguém específico. no fundo, contenho minhas palavras.(para de repetir, menina. e lute enfim, para remediar essas angústias que nem através dos remédios dos mais intensos e impactantes deixarão de existir. você nunca vai deixar de cair. você nunca vai ver o fundo, e nem sabe mesmo sabe se está a alcança-lo ou não).
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