quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pausado ou sem virgulas

                  


O texto começa com uma pausa, uma respirada diferente de muitos outros textos, esse começa vazio, vago, pausado, e o estranho desse começo não é a pausa, é o espaço entre o começo e o fim, pois desconhecendo a pausa você desconhece o fim, o período, conceitualmente, a narrativa. Beira a linearidade beira a tortuosidade mas realmente é só um texto, o primeiro texto! Denso, intenso, complexo e incompleto. Beira a tortuosidade beira a linearidade mas no fim é só uma pausa, um intervalo de tempo irregular e atemporal, incronometrável, mas apesar de atemporal e incronometrável tem fim.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Dizem que amanha vai fazer frio...

Hoje o céu amanheceu apodrecido
Amanha dizem que fará frio
Tomara...

Na continuidade dos dias, a trocar de pele
pontes queimadas, cabeça erguida, em frente!
Possibilidades abertas, um leque de possibildades
Isso é bom?         não sei...
(Vontade-medo-ansiedade)
Ansiedade, ando corroido de ansiedade
picos de energia e angustia pelas minhas veias
Para o meu cerebro a ferverilhar de confusão
Sangue, miólos, saudades,
Ansiedade a corroer meus dias e acelerar meu coração

É complicado seguir em frente
Mas é mil vezes mais complicado não olhar para traz

Quem não reiventar sua existencia
Acabará aprisionado na carcaça apodrecida do próprio aburdo
Hei de ser espontaneo e autentico, me reencontrar nos detalhes
Deus esta morto, Albert camus, anarquismo metafisico ou metafisica anarquista
Porra que o valha

Mas nada importa agora
Medito em minha janela ao som de Duke Ellington e John Coltrane
No ruido do pulsar das sanguinolentas artérias urbanas
Deito em minha cama e suspiro bagana

Dizem que amanha vai fazer frio
Tomara...

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Surreal né? (um banho ala Dalí)2

Surreal né? (um banho ala Dali)
Se as suas graças são sem graça
As minhas são remédios
.....................................................
Riu das pílulas que saem do meu nariz
      Resolvo nadar nelas,
Pois um dia fizeram parte de mim e o que vem de mim só poderia ser um banho
Mas não um banho como aquele esponjoso, mas sim um banho surreal com cara de banheira com água quente e vaporizada como um enorme inalador, e dentro desse banheira a cena,
Cigarro de peladas gentes, de testas nuas e bundas descobertas, tiram sarro do papo molhado e singelo, cheio de gesticulação e explicações visuais que tornam a água espuma.


Tranquilamente impaciente (estou tendo um dia caótico)1

Tranquilamente impaciente (estou tendo um dia caótico)1

Devagar, sim, devagar eu sou!!!
Sou lento, agitado, impaciente
Mas calmo
Acho que agora eu estou tranquilo
Meus problemas
Passaram para outro
Agora de mim só sobram conselhos e a memória de que realmente eu passei por isso
Sou hipocondríaco
Mas não gosto de tomar remédios e por isso não os tomo
Eu sou viciado em problemas!!!
Sou o terapeuta moderno, pessoal da minha própria cabeça
Fico quieto pensando
Resolver meus problemas
Mas no fundo a única solução que chego
Necessito de um psicólogo




À Goncalves Dias

         À Goncalves Dias
                 Eu,
                   Atento ao teto
                       Lento texto
                          Concreto

                                    Bato

Fim do ano

                                      Fim do ano
  Dia 29 de dezembro de 2015
Eu estou passando um tempo no sitio da família antes da virada do ano. O tédio circunda a casa. Família é suportar, e parece que ninguém mais aguenta esse bordão por aqui, e qual é a causa? A falta, saudade , o copo cheio de café que preenche as noites em claro. Eu sentando em uma poltrona de tecido velho e estampado com alguns rasgos e um ar de veraneio. Dentro das paredes de madeira, os pássaros se aninham e em casa o tempo passa, como se em meus tornozelos estivessem presos dois pesos enormes, que impedem meus movimentos, e com passos longos me  arrasto até o fim de mais um longo dia.
   Dia 31 de dezembro de 2015
O fim da temporada está acabando, como se aquele dia 31 em Paraty estivesse 365 dias para trás e agora para frente. Todos os parâmetros mudaram. Os dias ficarão mais claros e a vida tomara um ar de necessário, porem continuo infinitamente preso no sitio. A chuva cai tranquilamente e a cada dez minutos fogos de artificio estouram, e eu me lembro; está acabando. O que vai ser do novo? De novo só vão ter os dias, as funções, os números que aspiram ter se contorcido em mil, mil pedaços de infelicidade para explicar o quão longe estou daquela arvore depois dos pastos do outro lado da estrada. De repente minha vida é interrompida, o som dos caminhões incomoda meus ouvidos e os fogos não cessam, não aguento mais as mesmas coisas. O ventilador quase caindo afasta os mosquitos do fim da tarde e consigo sentir a impaciência latejando na cabeça do meu tio com enxaqueca bem na minha frente toc, toc, toc, toc, toc.
Feliz ano novo.








terça-feira, 19 de abril de 2016

Pela saudades do pasto

Pela saudades que eu estava do pasto,
Um baseado, vacas a mugir e cachorros latindo amigavelmente
           Ao longe.
Entardecia, acabava de chegar da estrada e me pus a subir o morro
           Para dedilhar baganas no intimo de minha solidão, entre
           Araucarias, mugidos e capim.
Um esboço de uma lua minguante ja estava extatico fixo no moreno
           Dinamo celéste do por do sol, uma nuvem incandescente de cobre
           Maciço a pairar acima das colinas.
Tal nuvem a navegar como um navio vaporoso de ouro a se misturar com
          A fumarenta névoa baurética.
E eu aqui novamente, acima do mundo dos homens, em cima da montanha,
          Na serra da mantiqueira.
Meu coração escorre em melancolia liquida ao lembrar que você partiu...
Um longinquo avião corta o céu cristalino mineiro, nuvem incandescente
          Esfria em uma nuvém purpurea e desolada de quando o sol se poe.

Pela saudades do pasto, do barulho dos rios, dos cachorros amigaveis
          A latir e das vacas macilentas a mugir sua reza bovina para
          A imensidão da serra silenciosa.
Saudades de um baurét no pasto, entre o começo do frio do outono e
         Uma araucaria, no etérno cri-cri dos grilos-monjes-peregrinos.
Bah! É complicado dar alguma foda pra algo hoje em dia
Pela saudades do pasto, do baurét e da solidão reconfortante
                                                                      ...Agora é só você velho amigo.
                                                                                                     ... Só você...

quarta-feira, 13 de abril de 2016

        Ela, a tarde, o ônibus e a lua
                                                                                                          Bento Pestana


                Na casa dela


"Você é linda sabia?"
  Olhos fundos
   [faces vermelhas

Bem-estar

"Você é lindo sabia?"
  Acaricia ,com sua mão
[delicada,
o rosto do menino
Beija seu pescoço, seus lábios
                                                           [seus braços
                        Olhos—Olhos
                       Olhos nos olhos
            “Eu te adoro muito”
            “Eu, também, te adoro muito...”
Reticências. Necessárias no momento diminuto,
o hiperespaço faz com que as galáxias
colidam umas com as outras

Essência de nicotina, ritmo constante
Harmonia de fim de tarde
Carros passando, pessoas falando
                                                                          Embaixo do                                                                                                                                             prédio

            “Não queria que você fosse embora”
            “Nem me fala se não vou acabar ficando...”
(tempo) O despertador badala 18h e o menino desolado deve ir embora
      1 beijo, 2 beijos, 3 beijos, N beijos
                        “Moça preciso ir embora”

                                   Saída
“Aqui passa o 875c?”
Rua maluca perfura
                                    [a Lapa
            Felicidade
“Você pode me contar
o que você quiser”
Um sorriso sublime
                                    [na boca dela
Lembra-se o jovem
Sorriso bobo
                                   [na boca dele

                        —Beijo—Beijos—

“Você, também,
Pode me contar o que você quiser”
Nariz avermelhado, nariz moreno
                        Nariz acaricia nariz

Não se diz mais. É como se o que tivesse a ser dito,
 os dois já sabiam. Ou talvez tivessem falado com
 os olhos em um silencio confortável.

Mão na mão; entrelaçadas.
 E a rua continua quieta à espera do ônibus, mas se desenha, no ponto;
um jovem risonho.

                                   Café e Cigarro

“Boa noite moça!”
Diz o menino
                                [abobado
Olhos pingando e gritando de alegria
—Me vê uma esfirra e um café?
—R$5,30
—Ok!
(comprado)
—Bom serviço
—Bom descanso
Ele senta-se na mureta
Esfirra, café
                        [come, bebe
Acende um cigarro
                                   [lembra dela

Noite aparece
Sol cai
Menina bonita
Vestida de lua
Te adoro muito


terça-feira, 12 de abril de 2016

Poema de algumas semanas atras ou Soneto sem rimas

Decomponha a vida em versos mudos
Do tédio flui a tinta a costurar abismos
Do tempo surge o monstro a emergir do breu,
E eu sou o monstro mas ainda está escuro, não sei.

O charco ambiguo corroe o coração
Eu mordo tua veia de uma branco marmoreo e,
Chupo o sangue fétido dessas flores adoecidas e,
Me embriago no gozo tênue da tua melaconlia sombria.

A libído destila neuronios iônicos
As horas são o vacuo da solidão
Ja estamos no outono...

Decomponha a vida em versos cegos
Arraste para morte a sua conciencia aleijada
Estou apenas cansado da vida e de suas estranhas criaçoes...

Fileira da desolação — Terça feira, noite.

Você se foi...
Sinto todos distantes.
Não os culpo, a culpa é minha,
Eu os afasto de mim, não é por mal.
A vida se pintou de um cinza fétido e purulento,
A eminencia da solidão a corroer dias torpes.
Incapacidade de administrar a relação contexto interno/contexto externo,
Será tudo só da minha cabeça delirante?
"There is no dark side of the moon, as a matter of fact is all dark"
Longos dias no começo da reconstrução,
A partir dos escombros reconstruir uma narrativa incendiado de um amor maluco.
Vicios,
Ela é um vicio pior do que heroina, e eu sou só um viciado.
Sim, eu morrerei de saudades,
Foram apenas dias espontaneamente felizes,
dias com você — os dias mais bonitos
— Mais nenhum dia com você!
Eu já não sei mais sobre as nuvens voando pela minha janela...

"Sabe cara, você só terá dois companheiros sempre na vida,
o dia,
e depois a noite,
depois o dia, e ai a noite".
Lua chora e gargalha pranto lacteo e esquizafrenico, o pinheiro defrente minha janela anoiteceu.
A vida vai seguir em frente, é o que todos dizem, não sei se confio,
Até lá é
Cigarro, cigarro, café, jazz, baseado,
E varias lagrimas silenciosas...
Eu ja nem sei do que eu estou falando, é que doi.
Só é dificil pra caralho cortar duas almas siamesas com uma tesoura enferrujada...





domingo, 10 de abril de 2016

tirinha sem graça e mal desenhada

Cores lânguidas


As gotas de chuva, como meteoros,
compõe a sinfonia atonal de trovões na minha cabeça
A lua no céu, tão longe, chora o murchar da flor.
Enquanto cada estrela perde tinta
eu me sento na janela procurando as cores.
E o tempo que parece parado
implora por mais um baque.
Cade você?
Pra me fazer rir,
Pra secar as lágrimas desse céu, que anda cada vez mais escuro,
Pra desenterrar de mim essa languidez.
Ou não,
talvez só te pedisse para largar meu corpo em uma correnteza.
Para que aí sim, as correntes eufóricas de água
consumissem meu corpo frouxo.

Cheiros Irrespiráveis

                                                                                                                              Bento Pestana






                                                                                                                                                         
                                               Cheiros irrespiráveis
                                                                           (perturbação)


Aquário cheio d’água                                                                       Aquário dilatado
Pessoas ou animais?                                                                         Seres putrefatos

Aquário cheio d’água
Impede minha respiração

Metro... circo de aberrações:
Seres humanos, com armaduras.


Ninguém respira
Ninguém espera
Ninguém.
                                                                                 
       — Debates e trocas de palavras.

–Animais e civilização.
(não, só animais)
                                               Só carne importa?
                                               —Sinto que sim                      *Vício
Vagão/escape/choque
Cheirosa carne rosada
Repousa em um aquário cheio de gasolina
Onde peixes se explodem e se comem

Desejos... Perturbações
Cadê o amor?
                                                                                                         
—Lá na esquina

—Aqui é só carne
                                                          
                                                          

                                                     Não consigo respirar

Ratos, vinho e parreiras.



                                                                                                                            Bento Pestana



Ratos, vinho e parreiras.

Espátulas de geleia
Cortam os ratos de poeira
Nas calçadas espaciais o chão queima
O chão queima e pega fogo!
“posso bebericar seu vinho?”
                                               —Pergunta o deselegante vagabundo
Parreira de barro, castelo de terra
Englobem todos os seres...
                                               —E destrua todas as espátulas.



                                                                                                                   

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Império


Delírios de chuva e sono

                    Delírios de chuva e sono
Está chovendo
A tv falando
A tristeza do interior
                Consumido
       Sozinho sem,
                                Sono, acordado 
O frio começa a chegar e o quente dos casacos abraça meus braços


Quando eu não chego

                     Quando eu não chego

Eu peço, ou pediria, se isso fizesse algum efeito
Como se o que eu falasse não emitisse som, e não transmitisse desejo.
Eu desejo!
Desejo que um dia, talvez, você me escute
Espero que lembre, porque eu espero
Espero pacientemente seu desejo chegar
Eu faço para você não esquecer, e tento para você se lembrar
É que só não quero!
Eu sou um mesquinho:
É que ele não chega nunca



quinta-feira, 7 de abril de 2016

"SUSPIRO ESPONTÂNEO

Como andam belas as manhas
                      límpidas de outono,
            céu pálido inocente azul e
                                          a luz cálida
a reluzir nos bégeos prédios e
                                      arranha-céus paulistas.
          Como anda bela a menina com vestido de margarida,
                     meu amor
    com seus braços a me manter aquecido
                                       na existência fria e insólita.
Cotidiano diário difícil- dinâmico,
                                     ando leve e espontâneo
rotina mantem na linha
                      - A burlar muros
       já se passaram 25% desse ano
                  cortei o cabelo
                                             a fazer me desconcreto
por ai...

Saudades de araucárias e suas canções macias,
         do rio, da montanha e do céu
                                                       mas não,
      apenas uma metrópole num eterno frenesi extático
pós-capitalista
                       - Moro na filosofia:
      "Pra que rimar amor e dor""
                 
     
                                 

   "POR DO SOL NO CENTRO OESTE
As gramíneas se tornam douradas
as arvores, enferrujam
e o olho de fogo se põem
por entre as gigantes anciãs
                           montanhas
Os pássaros brancos sobrevoam
tranquilos, pelos pastos bucólicos
como os flocos de nuvem do meio dia,
e um velho carro caipira
corta suave a estrada,
poeirenta e vermelha
                         do cerrado brasileiro
Enquanto meu coração se melancoliza
o sol se pôs
                    lembrei de você...
E com as nuvens roxas e rarefeitas
do sertão do centro-oeste
a cena blues se completa
adoraria estar ouvindo um Dylan agora
ou

                                     beijando você"
“UM FRENÉTICO AMANHECER CINZENTO:
              A luz –
                   pálida do poste de luz
        se ejacula esfumaçada no breu
                                                          da noite,
                                         - a fumaça 
                       que fica acima, suspensa
                                     ou escorre de cigarros vagabundos
                 fumados matinais por colegiais
    gostosas, ou velhacos taciturnos
                                                                     - sirenes
             concreto –
                               flagelante move-se o pendulo, urbano,
                         e fixa-se
                                              como um percevejo de alumínio na parede

                                                                                                                   ébria...”

Mais

Quero o sol,
juntar em uma caravana todas as pessoas sozinhas,
Recitar poesia pelado.
Seios e pintos.
Quero o sol.
Na claridade e no calor esquecer, moça,
de quando me abriguei em teu corpo.
Me perdi na floresta escura.
Tua floresta, minha prisão.
Mas fugi.
Agora, quero as águas cristalinas tocando meus dedos dos pés
enquanto olho para cima,
sou cegado de prazer.
O sol que me liberte, que me cegue.
Imagino todos que já vagaram sozinhos
formando um cardume colorido.
Que seja, que nos tornemos infinitos juntos.
Foda-se o tempo, foda-se todas as correntes e grades.
Um carro velho vermelho
seguindo pelas estradas desérticas isoladas em direção às nuvens.
Vamos nadar libertos,
rir daqueles que estão presos pelas próprias morais.
Mas lembrar também,
de darmos risadas de nós mesmos.


Naufragos


Grêmio Vera Cruz 2016