Ela, a tarde, o ônibus e a lua
Bento
Pestana
Na
casa dela
"Você é linda
sabia?"
Olhos fundos
[faces vermelhas
Bem-estar
"Você é lindo
sabia?"
Acaricia ,com sua mão
[delicada,
o rosto do menino
Beija seu pescoço,
seus lábios
[seus
braços
Olhos—Olhos
Olhos nos olhos
“Eu te adoro
muito”
“Eu, também,
te adoro muito...”
Reticências. Necessárias no momento
diminuto,
o hiperespaço faz com que as galáxias
colidam umas com as outras
Essência de nicotina, ritmo constante
Harmonia de fim de tarde
Carros passando, pessoas falando
Embaixo do prédio
“Não queria
que você fosse embora”
“Nem me fala
se não vou acabar ficando...”
(tempo) O despertador badala 18h e o menino desolado deve ir
embora
1 beijo, 2 beijos, 3 beijos, N beijos
“Moça
preciso ir embora”
Saída
“Aqui passa o 875c?”
Rua maluca perfura
[a Lapa
Felicidade
“Você pode me contar
o que você quiser”
Um sorriso sublime
[na boca dela
Lembra-se o jovem
Sorriso bobo
[na
boca dele
—Beijo—Beijos—
“Você, também,
Pode me contar o que você quiser”
Nariz avermelhado, nariz moreno
Nariz acaricia nariz
Não se diz
mais. É como se o que tivesse a ser dito,
os dois já sabiam. Ou talvez tivessem falado
com
os olhos em um silencio confortável.
Mão na mão;
entrelaçadas.
E a rua continua quieta à espera do ônibus,
mas se desenha, no ponto;
um jovem risonho.
Café e Cigarro
“Boa noite
moça!”
Diz o menino
[abobado
Olhos
pingando e gritando de alegria
—Me vê uma
esfirra e um café?
—R$5,30
—Ok!
(comprado)
—Bom serviço
—Bom
descanso
Ele senta-se
na mureta
Esfirra,
café
[come, bebe
Acende um
cigarro
[lembra dela
Noite aparece
Sol cai
Menina bonita
Vestida de lua
Vestida de lua
Te adoro muito
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