segunda-feira, 25 de abril de 2016

Fim do ano

                                      Fim do ano
  Dia 29 de dezembro de 2015
Eu estou passando um tempo no sitio da família antes da virada do ano. O tédio circunda a casa. Família é suportar, e parece que ninguém mais aguenta esse bordão por aqui, e qual é a causa? A falta, saudade , o copo cheio de café que preenche as noites em claro. Eu sentando em uma poltrona de tecido velho e estampado com alguns rasgos e um ar de veraneio. Dentro das paredes de madeira, os pássaros se aninham e em casa o tempo passa, como se em meus tornozelos estivessem presos dois pesos enormes, que impedem meus movimentos, e com passos longos me  arrasto até o fim de mais um longo dia.
   Dia 31 de dezembro de 2015
O fim da temporada está acabando, como se aquele dia 31 em Paraty estivesse 365 dias para trás e agora para frente. Todos os parâmetros mudaram. Os dias ficarão mais claros e a vida tomara um ar de necessário, porem continuo infinitamente preso no sitio. A chuva cai tranquilamente e a cada dez minutos fogos de artificio estouram, e eu me lembro; está acabando. O que vai ser do novo? De novo só vão ter os dias, as funções, os números que aspiram ter se contorcido em mil, mil pedaços de infelicidade para explicar o quão longe estou daquela arvore depois dos pastos do outro lado da estrada. De repente minha vida é interrompida, o som dos caminhões incomoda meus ouvidos e os fogos não cessam, não aguento mais as mesmas coisas. O ventilador quase caindo afasta os mosquitos do fim da tarde e consigo sentir a impaciência latejando na cabeça do meu tio com enxaqueca bem na minha frente toc, toc, toc, toc, toc.
Feliz ano novo.








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