Fim do
ano
Dia 29 de dezembro de 2015
Eu estou
passando um tempo no sitio da família antes da virada do ano. O tédio circunda
a casa. Família é suportar, e parece que ninguém mais aguenta esse bordão por
aqui, e qual é a causa? A
falta, saudade , o copo cheio de café que preenche
as noites em claro. Eu sentando em uma poltrona de tecido velho e estampado com
alguns rasgos e um ar de veraneio. Dentro das paredes de madeira, os pássaros
se aninham e em casa o tempo passa, como se em meus tornozelos estivessem
presos dois pesos enormes, que impedem meus movimentos, e com passos longos me arrasto até o fim de mais um longo
dia.
Dia 31 de dezembro de 2015
O fim da
temporada está acabando, como se aquele dia 31 em Paraty estivesse 365 dias
para trás e agora para frente. Todos os parâmetros mudaram. Os dias ficarão
mais claros e a vida tomara um ar de necessário, porem continuo infinitamente
preso no sitio. A chuva cai tranquilamente e a cada dez minutos fogos de
artificio estouram, e eu me lembro; está acabando. O que vai ser do novo? De
novo só vão ter os dias, as funções, os números que aspiram ter se contorcido
em mil, mil pedaços de infelicidade para explicar o quão longe estou daquela
arvore depois dos pastos do outro lado da estrada. De repente minha vida é
interrompida, o som dos caminhões incomoda meus ouvidos e os fogos não cessam,
não aguento mais as mesmas coisas. O ventilador quase caindo afasta os
mosquitos do fim da tarde e consigo sentir a impaciência latejando na cabeça do
meu tio com enxaqueca bem na minha frente toc, toc, toc, toc, toc.
Feliz ano
novo.
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