SAORI
"Como beijo calido no inferno..."
I
Saori era absoluta.
Saori era apenas uma nuvem.
Saori era o grito, o descompaço, a dor.
Saori era calida.
Saori era o olhar.
Saori era o beijo e era uma cidade triste e cinza.
Saori era palida e era vapor.
Saori era o oceano.
Saori era imaculada.
Saori era o suspiro e era azul.
Saori era o impeto e era o contexto.
Saori era o instinto.
Saori era o pecado.
Saori ventava melancolia por manhas frias.
Saori era o corpo peludo e sagrado que goza.
Saori era o extase.
Saori era a neutralidade e a indiferença.
Saori era a deriva.
Saori era o silencio.
Saori era o chumbo.
Saori era carne e era fumaça.
Saori era o absurdo.
Saori era toda a frustração e renuncia.
Saori era a profecia.
Saori era e não era tambem.
Saori era tudo e era nada, mas
Saori era a existencia, mas
Saori era eu, mas
Saori é apenas uma dama de olhos tristes caminhando ao amanhecer.
II
Com sua boca de mercurio em tempo missionarios
E sua carne como seda e seus dedos como folhas secas
Com seu coração como vidro
E a sua face vazia
Quem entre nós poderia suporta-la?
Saori,
Com seu sorriso como neblina
E as suas lagrimas rochosas
Com seu suspiro como vapor
E a sua silhueta de lagos silenciosos
Quem entre nós poderia não ama-la?
Saori,
Com seu nariz de aguaceiro
E o seu corpo branco como breu
Com seu semblante de vértice
E os seus olhos de marmore e ebano
Quem entre nós poderia supera-la?
Saori,
Com suas rezas com rimas
E os seus olhos como fumaça
Com seu beijo de ausencia
E o seu oceano de ambiguidade
Quem entre nós poderia renuncia-la?
Saori,
Como sua face como uma santa
E a sua alma como um fantasma
Com sua espera de aço e concreto
E suas saudades como o frio vento
Quem entre nós poderia, enfim, mata-la?
Saori,
Saori... Saori... Saori...
O uivo projetado do feminino existir efemero.
III
Sem mais delongas, Saori,
Vamos direto ao ponto, atravessar o inferno!
Logo tu, a abstrata,
Saori,
A maldita, a amaldiçoada.
Saori, poupe-me do ambiguo pois tu é a
Sintese e o paradoxo,
Vou margulhar nas suas entranhas e
Sugar teu sangue doce e amargo.
És o desespero, Tu Saori
És beatifica nua e celestial!
És o amago!
E dança sua dança liquida e frouxa.
Me absolva, me liberte, me mate, Saori,
Deixe-me possuir, gozar e matar você, Saori,
A vaporosa subjetiva!
Pois é feita de tripas e éter, Saori
E teus seios são colinas na eternidade.
Queime Saori, apodreça, grite
Pois é enfim a culpada e o juiz!
Concreta Saori, liquida Saori, És voluptuosa
E faz martirio da volupia.
És um simbolo Saori, como tudo e como nada,
És vitrea, plumbea e carnal,
Etérea Saori!
De bucetas e caralhos fumegantes,
És o ser, o tempo e o fim.
Queime Saori, queime, queime
Uma chama branca e gélida,
Queime Saori, queime e nos deixe em paz!!!
–Saori, menina bonita de olhos tristes e cristalinos dedilhando a solidão espontanea abaixo da cerejeira–
IV
Quebrem todas as portas e todas as fechaduras! Libertem o que foi a muito recalcado no fundo da fumarenta e obliqua conciencie solipsista!
Vamos – Você Saori e tambem eu – Realizarmos a nossa jornada final ao inferno – Teu inferno, Saori – E cruzar todo caldo de linguagem e pulsação do fenomeno de ser.
Saori, forjada nas avenidas lascivas de tendão, penis e medula, Saori, nascida do osso e do éter, abençoada Saori! muscular e cognitiva Saori! Embriagada Saori!
Liberte-me Saori, Me deixe bagual e esmo a perambular, me liberte, Saori, de toda metafisica cicular e de todo lixo civilizatorio misturados com testiculos e piche!
Me liberte, Saori a existencia, Saori a mente, Saori a lasciva castrada, Saori a mais bela musa e a mais absoluta abissal, mãe de toda condição;
O real, o simbolico, o sexo, a mente, o vazio e a morte onde se encerra o fenomeno como um todo
Cujo qual é
Saori.
V
"Saori parte imaculada
Como uma nuvem
Pela manha"
– E todos nós taciturnos de olhos tristes a fitar a cidade-Saori com porre de vinho, fumando um cachimbo fumegante de erva, em prantos com a eternidade –
São paulo, Julho de 2016.
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