domingo, 12 de junho de 2016

 Desagregação da raça humana, por Agnaldo filho

                                                                                                                              Bento Pestana

Se fosse um pedaço de chão mesmo que,
despedaçado, endividado, quebrado
Agnaldo seria concreto...
Quase óbvia sua sina

Cada passo dentro de sua pecaminosa cabeça;
era um vazio dentro si. Um abismo gigantesco de dor
narcisismo, estupidez e a profunda pergunta
"Quem era ele"

Agnaldo era um furo de pensamentos,
Pois esses argumentavam contra o próprio pensador
Cada imagem, um ciclo mental de exemplos e embasamento teórico
desestruturavam o pobre coitado

No fundo, no fundo, ele se odiava...

                                                                                                                 Ass. Dr. Norberto Mentecapto 

(Muda-se a cena, agora médico e pai conversam)

-É isso o que o doutor acha.
-Sim.
-E... qual a solução?
-Bom, há uma série de remédios que destroem imorais. No entanto, o problema de seu filho é um erro do "caso C'.
- É problemático?
 -O "caso C", por si só, não é um problema estrutural. Consiste em uma situação peculiar, em que o humano não é capaz de balancear o ser racional e irracional. Nada que uma série de choques não resolva.
-Dr, só lhe dê esses tais choques.
-Senhor, para mim dói muito lhe dizer isso. Seu filho não faz parte desse sujeito que acabei de descrever-lhe. Agnaldo é um erro humano, um pecado na nossa vasta e consistente civilização. Ele não existe para si próprio, vive em 3ª pessoa. Não necessariamente do singular. Seu filho vive em um julgamento próprio, de um lado as emoções e as vontades, do outro os deveres e pensamentos. Ele não age conforme um ser normal, ele define sua ação anteriormente a vive-la. Decide e determina o que está sentindo em um contexto x, no entanto, obviamente, você não entendeu o problema: nesse tribunal que é a cabeça de Agnaldo, o réu é seu filho, os advogados de defesa são os desejos, os de ataque, os deveres. Sabe quem é o juiz?
-Não faço a menor ideia.
-O tesão, o tesão é o juiz. Agnaldo é submetido a si próprio, é réu da vontade de fazer sexo e os mediadores de tudo isso, o mito grego Narciso, Photos o deus do amor e Éris deusa da discórdia . O que o deixa extremamente fixado em sua beleza, ama muito a todos e não quer machucar ninguém. Ama mais a si mesmo e não vive sem destroçar relações. No final quem decide é o tesão, e isso é mortífero para ele e para todos eme sua volta. Porém, existe uma solução...
-Qual??- diz o pai desesperado.
-C-A-S-T-R-A-L-O. CASTRA-LO.





















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