A culpa é tua!
Fez-te cadaver e martir de sua tormenta
Ao enroscar os ferrolhos de bronze dos teus
Dedos esqueléticos no oceano de leitosa esmeralda.
Fez-te réu e algóz ao mergulhar
Em lagos de sanguinolentos vermes
Ou ao escalar costelas de graveto e parafusos de ossos.
Em uma manha ofegante e fria;
Um urro gultural intrinseco e impetuoso
A reverberar harmonias copiosas em nossos,
Cranios aparentemente lucidos.
O vazio transbordante que jaz em tudo.
O que resta para além do hermético
Se 7 bilhoes de cabeças resolverem sapientar?
De fato, cada homem é escravo de sua propria substancia
E as substancias jazem diluidas entre,
Virtuais simbolos cristalizados pelo habito.
Poderia eu ser um antigo monje chines zen-lunatico
Que vive a meditar o vazio e beber chá
Na minha cabana em cima de montanhas graves e solenes.
Poderia tambem eu ser um bode montanhista
A escalar solitario gigantescas colinas lunares
Que brotam siderais dos oceanos topograficos lá no céu.
A névoa escarlate que permeia virtuais cogniçoes
E as gorgolejantes serpentes de piche
A injetar em veias purulentas o mais escuro breu dentro de
Grutas metalicas que reverberam
Arranjos esquizofrenicos de escalas adoecidas.
Ontologica e epistemologicamente nu.
Na lógica imagética das plumbeas gotas de vacuo
Que pingam no unica verdade da minha nudez nua.
O fluido fatuo a escorrer de
Maliciosos monologos de inocencia.
A frenética orbita dos olhos nitrogenados.
Stone flower, de antonio carlos jobim
Ou as noturnas de chopin,
Como as gotas d'ouro de um cigarro na janela
Derretendo a morfologia abstrata das lesmas retorcidas nas calçadas.
Trocaria toda a condição do ser
Para me decompor em paginas e melodias;
Ser e sentir são apenas efemeros universais com um sarcastico carater subjetivo.
Mordendo e sugando um sabugo de éter:
No sincopado voo de uma epopéia bebop.
Esfumaçados olhares e linguas fumegantes
No pulsar de um utero lacteo e umidecido em pranto
Inundado de infecundos aracnideos e ossos rotos.
O mundo não é nada além da mente.
E o que é a mente?
A mente não é nada além do mundo.
"Não forme concepçoes
A respeito da realidade da existencia ou
Da irrealidade da existencia"
Ou outras palavras assim.
(O extase é generalizado)
Rarefeitas teias verbais defecam
Deus.
Deus é o verbo e hoje eu sou mudo.
Muitas vozes em um mesmo discurso
No nervo agudo e osseo que sangra coagulos de linguagem.
Se o céu se fizer liquido e chover lirico azul
No instante suspenso de uma efemera contemplação,
O uivo sinfonico e anal declamará
A ilusão de um poema de eternidade
Ou algo assim.
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