segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Manha (grito)

Branco
Sonolento
E melancólico como uma manha pálida de dezembro.
Café.
Ah! E se tudo coubesse no peito e
Não dilacerasse as costelas?
Eu sinto
          Muita
                 Muita
                     – Muita! –
                     Vontade de gritar,
Mas simplesmente não sei o que.
Como se fosse possível
Que de minha pele eu me transborde
Em milhões de acordes;
Maiores, menores, aumentados, diminutos,
Fazendo-me em sublimes
                          Melodias
Coloridas.
O fado que vem de longe,
As nuvens são como navios cinzentos
Navegando na manhã
– uma chuva realmente forte vai cair –
Pingos como agulhas atravessando a cidade.
E menos do que triste
Sinto-me
Podre.
Versos de Lou Reed e Maiakovski entremeados ao branco,
Meu grito como um uivo surdo e mudo e morto e cego.
A lascívia que vem embutida no parto. No
feto. Na modernidade liquida.
Como se tamanho o peso
Das lagrimas de cimento
Que rasgam os verbos a chorar.
A vida gritou na janela
De todo pinheiro baurético de cada dia,
E o sorriso tornou-se inerte. Lúcido.
O vazio, inanimavel.  
Quanto a nós vamos bem,
O mundo é tão belo que meus olhos se quebraram,
E toda névoa de todas as penínsulas desoladas que
Englobam
O meu sentir.
Lascas de uma narrativa em gotas de cerveja.
Das epopeias barrocas de um hiperativo imaginário
Até
As geleiras alcoólicas que
Da vida,
Da fuga,
Do estreito,
Do peito,
O peito desses nossos dias.
Saudades deitadas sobre anos ocos,
O peso sobre os ossos murchos,
Quem eu sou e como
Eu vim parar aqui?
E o grito é silencio no peito daquele
Que dedilha fumaça na chuva, no jazz
No marasmo,
Na incerteza,
No abismo,
No todo,
E o vazio e o viver
Que não cabem nas costelas e transbordam
No peito
E um dia, um dia
Eu vou subir em uma nuvem (nuvens são navios)
E navegar,
Navegar para alem de todo chumbo que me resta alem do escombro que sobrou cá.
Entre nuvens e martelos,
Eu sou eu e toda perdição esta contida no meu peito.
(Quem sabe serei feliz)

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