I
18/05, estrada
"Tristes varzeas cinzas e vazias
Na estrada pingada para o oeste paulista
Planices ocas injetadas de vacuo obliquo
Nuvens flacidas murmurando uma
Canção azul marinho.
Canaviais silenciosos, horizonte, melancolia
Apenas um triste poeta com seu sobretudo jeans
Lamurioso e bebado de cores
Opacas."
II
18/05, acampamento cachoeirinha
"A cabana de pau do seu ceará;
A terra batida e a roça timida,
O sorriso sem geito e rustico e a lagrima autentica
Galinha, café, farinha de mandioca
O coraçao espontaneo e o choro da sanfona
O entardecer terroso e a luta pela terra.
O radinho quebrado e o colar de chocalho de cascavél,
Amigaveis cães e belas prosas,
Simplicidade melancolica, melancolia sertaneja,
Levemente alegre e entardecida."
III
19/05, noite
"Passeando por céus inconstantes
Passeando por varzas ocas e olhares sem essencia,
Passeando rumo ao instinto, passeando
cincundando abismos e evitando espelhos.
Passeando, indo, quem sabe um dia eu volte a te encontrar.
Se eu não inflo, flacido e roto eu apodreço,
Apodrecido ou velho, quem sabe
Só confuso e um tanto quanto sem geito...
Indo, passeando, mas para onde eu vou?
Rumo é só ilusão, o destino é apenas o proprio trajeto,
Metaexistencia, noite, risadas,
Dois amados Lucas e agora sou só devaneios
Só isso importa,
O resto é só estimulo"
IV
20/05, Usina Santa cruz
"Plantaçoes mecanicas e infinitas
Derramadas sobre planices,
Fabrica de nuvens, toxicas e putridas
Canaviais desolados e estradas esquecidas,
Cheiro morimbundo e cana
cana, cana.
Gigantes metalicos rugindo como deuses de aço banhados em prata
Elétrolitica, cortando os pentelhos alcooleiros
Da enorme maquina-latifundio
Cana, cana, cana,
Desolaçao
imensos postes falicos a
vibrar elétricos como telepaticos fantasmas
No marasmo agricola e interminaveis canaviais de
Araraquara"
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