quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Ou nem isso

Falar?
Tudo bem que tudo não passa de palavras
Mas dizer?
Não há nada a ser dito,
Nada a dizer
Mas apenas uma chama arqueada ao abismo

Literário como acima
Ou nem isso
Um jovem de cigarro na boca que não passou
          Na faculdade e vai tentar a sorte no mar
Superficialidade cotidiana e um gosto amargo de café
Cena de adolescentes de classe média alta e uma pinta
           De alternativos, alguma náusea
Algo escrito em cimento ou papel
Vestibular
Sair de casa
Sou eu o eterno prosaico transcendental
A trabalho a ser feito, vida pela frente

Inconstante como acima
Ou nem isso
Isolado preso dentro dessa dura caixa de ossos
Do crânio
Sozinho

Fui condenado a nascer sem saber morrer
{você pra mim é problema seu}
                          
                                                    Fevereiro de 2017, SP
                                      

Nenhum comentário:

Postar um comentário