segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Bolor

Havia algo de inanimado
Na carne. Do céu sobraram
Escombros e uma pasta fétida
De chumbo e urânio.
Um grito entalado em uma colina
De bolor. Silencio.
Como se de repente
Tudo estivesse morrendo e
Fosse difícil de fazer
Nascer.
Estrangeiros acendem seus cigarros
Na cozinha e
Os hipopótamos injetam cachaça e morfina
Nos cus dos ornitorrincos
De madrugada.
Laminas perfuram o tecido da noite
E os macacos usavam drogas
Em uma sapiência ambígua.
A lua
Flamejava queimando nos cachimbos
Rostos hesitantes cortavam e colocavam no congelador
Pedaços uniforme e sangrentos da carne
De Deus. O vazio carcomia nossos dias.
O naufrágio me ensinou
A ver. Polimorfos simbólicos dos
Dias costurados.
Mascaras de fórmica embalam
A nossa diabólica orgia auto-censurada.
O vazio virou chumbo
E o escombro inanimado.
Suportar cada gole de bolor
Para poder vomitar o tecido da noite
Ejaculando delirante nas cachoeiras de carniça
Ao amanhecer.


Janeiro de 2017, Boituva

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