segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Os girassóis vermelhos

Fumando nossos cérebros a 700 kilometros por hora
         Através de Goiás através da estrada
    Buritis e colinas orbitando o sol
 Cachoeiras de fumaça delirante em cristalinas nuvens
E sanguinolentos baseados anestesiando
Garotas com girassóis vermelhos gotejando do ventre
Dissolvidos em leitosas constelações de eletricidade e horizonte
                      Arvores retorcidas
Com a moral anestesiada
Por planícies vulneráveis da mais sublime desolação trompetes
Alucinados caçando minhas visões pelo cerrado
Ardente
    Marijuana através da chuva
E eu continuava a contemplar os olhos doces
             De Marialice (poesia)
Terra vermelha músculos cansados
Perspectivas angustias avenidas e saudades zunindo através do
          Meu cérebro para dentro da cidade espectral onde eu orbito
          Voando
                     Fumando meu crânio através do eterno retorno e
                     Para além do bem e do mal
Gritam juntos a pulsão de vida e o medo e as
Lebres com relógios que injetam morfina e perguntam
Para Platão pelo sentido da vida
Lagrimas ansiosas rastejam pelo meu delírio
        Passado presente e futuro suturados a uma lua nascente
Uivando um solo de saxofone pela eternidade
Nietzsche voando em um trem com Orfeu ouvindo
Villa Lobos e declamando Allen Ginsberg para o nada
Marialice com seus olhos tristes e doces olha para  o
                                                           Trem
           E chora e reza para a chuva e para o tempo para que
Os dias pesem menos e não sangrem
Estou sentado em uma rede no camping chapado de maconha
   Matamos a moral abaixo de um céu arroxeado
Enquanto cruzávamos a aurora boreal de Kilimanjaro
E éramos cuspidos pelo cu da eternidade em uma
Tempestade mastigada em LSD
         Maria madalena mãe de Jesus Cristo sangrando
E respingando sangue através do cerrado rodopiando
Em uma cruz flamejante embebida em tequila
             Lightning Hopkins dedilhando sua guitarra gotejante
Abaixo de uma arvore retorcida
                                                Cubos
Voam pelo entardecer como as barbas longas e salgadas de Dostoiévski
E
Eu meu inconsciente e meus navios e minhas navegações
Pelo interior de Goiás
                  Linhas de contrabaixo injetam Coca Cola e anfetamina
Na minha imaginação
Matamos Marialice dos olhos doces e sobre a amoralidade
Da incerteza nós continuávamos
O nosso voo a 700 kilometros por hora através
Das tripas ocas do silencio.

(Marialice nos fita deitada no horizonte
Abaixo de um triste girassol vermelho)




4 de janeiro, São jorge
Goiás


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