as vezes fico inquieta e faço perguntas. me pergunto se sou como ele, se me faltam parafusos. calculo, delimito meu comportamento.
quando fico inquieta, me movo. preciso mexer algo.
seria apenas a substância que alimenta os monstros agindo sem dispertá-los?
seria eu mesma me enganando inserindo a tal substância?
querendo não ter parafusos ordenados.
querendo correr, listando empecilhos, me perdendo no caminho?
quando fico inquieta mordo as coisas. moldo-as.
quando fico inquieta necessariamente me vejo sucumbir vejo todo meu corpo se movendo tremendo instável na beira de um buraco.
já no fundo.
lá longe, grito por ajuda.
classifico os momentos de perda de mim como intensos, ardentes.
verdadeiros?
busco ajuda
movo as mãos sob as têmporas.
quando fico inquieta me sinto suja e pequena e sozinha e peço socorro e grito.
mas as pessoas não vem mostros,
e tenho medo de sujá-las com minha teórica podridão voluntária.
quando fico inquieta fico longe, só vejo eu e o tal movimento interno
não sou alimentada pelo resto
não sei.
quando estou inquieta tento me acalmar sozinha
desenhar os tais mostros,
escrevo delimitando frenéticamente as minha inutilidades internas externalizando-as também inutilmente.
quando fico inquieta
e explodo,
continuo só.
mas passa (?)
não sei.
(fevereiro, 2017)
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